A composição do recém-criado Conselho da Paz (Board of Peace), lançado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, acendeu um alerta entre analistas de geopolítica e defensores dos direitos humanos. Um levantamento do Poder360 revela que, dos 26 países que já sinalizaram adesão ou assinaram o documento de criação da organização, 12 possuem regimes classificados como autoritários.
Perfil dos Integrantes e a “Paz Transacional”
A assinatura do documento, ocorrida na manhã desta quinta-feira (22), formalizou um grupo cuja diversidade política reflete a nova tática de política externa de Washington. A lista inclui nações com fortes restrições a liberdades civis e de imprensa, evidenciando o caráter pragmático e transacional da iniciativa de Trump.
O objetivo declarado do Conselho é substituir a mediação tradicional de órgãos multilaterais, como a ONU, por um modelo de negociação direta liderado pelos EUA. Entre as metas imediatas estão a implementação de um plano de reconstrução para a Faixa de Gaza — focado em desenvolvimento imobiliário e infraestrutura — e a mediação da guerra na Ucrânia.
A Ausência do Brasil e a Pressão sobre Lula
Embora o logotipo do Conselho traga o globo terrestre com foco na América do Norte, Trump tem feito esforços públicos para atrair líderes de democracias ocidentais e de países do Sul Global para dar legitimidade ao grupo.
Em seu discurso, o republicano citou nominalmente o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, como um “grande papel” no conselho. No entanto, o Palácio do Planalto mantém a cautela. Até o momento, o Brasil não enviou representantes para a cerimônia de assinatura, e o Itamaraty avalia os riscos de se alinhar a um órgão que contorna as Nações Unidas e inclui uma parcela significativa de governos autocráticos.
Cenário em Davos: Auditório e Impacto
Apesar do peso político dos anúncios, o evento de lançamento do Conselho da Paz não repetiu o sucesso de público do discurso de abertura de Trump. O auditório principal de Davos registrou diversas cadeiras vazias, em contraste com o “tarifaço” anunciado contra a Europa e as ameaças sobre a Groenlândia, que seguem dominando as conversas nos corredores do fórum.



