A Polícia Civil de São Paulo desmantelou, na madrugada desta terça-feira (20), um cativeiro localizado em Osasco, na Região Metropolitana, onde um auditor fiscal e juiz do Tribunal de Impostos e Taxas (TIT) era mantido refém. A vítima foi resgatada após passar mais de 30 horas em poder dos criminosos, que tentavam realizar transferências bancárias via celular e planejavam invadir o apartamento do magistrado.
O Cativeiro e o Resgate
O local utilizado pela quadrilha fica na Rua Colinas do Oeste, em um ponto estratégico próximo ao Rodoanel Mário Covas. Vídeos registrados pelos investigadores mostram as condições precárias do cativeiro: um cômodo minúsculo equipado apenas com uma cama, uma pia e um banheiro. Para evitar que a vítima fosse vista ou que o ambiente fosse identificado do lado de fora, todas as janelas estavam cobertas com lençóis.
A operação da Divisão Antissequestro (DAS) resultou na prisão de cinco suspeitos — quatro foram detidos em flagrante no imóvel e um quinto integrante foi capturado em uma ação subsequente. De acordo com a polícia, os criminosos não conseguiram subtrair valores das contas da vítima devido aos mecanismos de segurança bancária.
A Estratégia da Vítima: A “Palavra de Segurança”
O desfecho positivo do caso deve-se à rapidez do companheiro do juiz e a um acordo prévio entre o casal. Durante o sequestro, os bandidos permitiram que a vítima atendesse a uma ligação. Nesse momento, o juiz utilizou uma palavra-chave combinada para situações de perigo, o que serviu de alerta imediato para o companheiro acionar as autoridades.
Além do código verbal, uma movimentação estranha reforçou a suspeita: o síndico do prédio onde o juiz reside recebeu uma mensagem autorizando a entrada de “vistoriadores” no apartamento. O delegado Fabio Nelson, chefe da DAS, afirmou que a intenção da organização criminosa era realizar um roubo domiciliar enquanto mantinham o dono do imóvel refém, mas a manobra foi detectada a tempo.
Crime de Oportunidade na Avenida Rebouças
O sequestro ocorreu no último domingo (18) na Avenida Rebouças, área nobre da Zona Oeste da capital. O delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, classificou o episódio como um “crime de oportunidade”. Segundo as investigações, o juiz foi abordado por quatro homens em outros veículos em um momento de desatenção ao parar o carro.
A polícia agora investiga se essa organização criminosa está envolvida em outros sequestros-relâmpago na região central e oeste de São Paulo, utilizando o mesmo modus operandi de abordar vítimas em carros de luxo para realizar transferências via Pix e invasões residenciais.



