Com três governadores de peso no páreo, partido acelera articulações para oferecer alternativa à polarização; decisão sobre nome oficial deve sair até meados de abril.
O cenário político brasileiro para 2026 ganhou contornos definitivos nesta semana com a consolidação de três nomes de peso dentro do PSD para a disputa presidencial. A filiação de Ronaldo Caiado (Goiás), anunciada na última terça-feira (27) ao lado de Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), selou um “pacto de união” no partido de Gilberto Kassab.
O trio, que governa estados estratégicos do Sul e Centro-Oeste, apresentou-se como uma frente moderada de centro-direita. Em entrevista conjunta ao Estúdio i na quarta-feira (28), os governadores garantiram que não haverá racha: o compromisso firmado é de que os dois preteridos apoiarão integralmente aquele que for escolhido pela legenda para carregar a bandeira do “Projeto Brasil”.
Quem é quem na disputa interna do PSD
A escolha, que Gilberto Kassab descreveu como uma “decisão política e de viabilidade”, levará em conta perfis distintos para enfrentar o atual presidente Lula e o provável candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro.
- Ratinho Junior (O Favorito Interno): Governador do Paraná com 85,5% de aprovação (Paraná Pesquisas, jan/26), é visto por Kassab como o nome de menor rejeição e maior capilaridade. Nesta sexta-feira (30), Ratinho Junior admitiu que o partido pode lançar uma “chapa puro-sangue” e previu que o martelo será batido por volta do dia 15 de abril.
- Ronaldo Caiado (O Conservador): Recém-saído do União Brasil por falta de espaço, Caiado traz a força do agronegócio e um discurso incisivo contra o governo federal. Ele defende que o PSD tenha “certeza absoluta” de uma candidatura própria para desgastar o petismo.
- Eduardo Leite (O Reformista): Representa a ala mais liberal e urbana. Defende que a escolha ocorra pelo diálogo e não por prévias formais, focando em um projeto de “segurança moral” e estabilidade institucional.
O Tabuleiro de Kassab: Estratégia ou Risco?
O movimento de Gilberto Kassab é visto por analistas como uma “manobra de mestre” para isolar o radicalismo e atrair o eleitorado órfão de Tarcísio de Freitas, que sinalizou permanência em São Paulo. No entanto, o desafio é geográfico:
- Palanques Vazios: O PSD enfrenta dificuldades para consolidar apoios nos maiores colégios eleitorais (SP e RJ), onde Tarcísio e Eduardo Paes possuem agendas próprias.
- O Fantasma da “Cristianização”: O termo, que remete a Cristiano Machado (candidato do PSD em 1950 abandonado pela própria base), assombra a terceira via. Kassab precisará garantir que suas alas regionais, muitas vezes aliadas ao Planalto (como na Bahia), não abandonem o nome escolhido no meio do caminho.
O que esperar até Abril?
Até a data limite de abril, os três governadores devem intensificar agendas nacionais. Ratinho Junior já sinalizou que um apoio ao PL em um eventual segundo turno contra Lula seria “natural”, buscando reciprocidade para atrair o voto bolsonarista moderado desde o primeiro turno.
Enquanto isso, o Palácio do Planalto minimiza o crescimento do trio, apostando que o “fla-flu” político voltará a dominar as atenções e esmagar candidaturas de centro conforme a eleição se aproxime.



