Soja lidera o desempenho estadual com previsão superior a 22 milhões de toneladas; chuvas frequentes ditam ritmo lento na colheita, mas garantem vigor às lavouras.
O agronegócio paranaense caminha para um dos ciclos mais produtivos de sua história. Segundo o novo levantamento da Previsão Subjetiva de Safra (PSS), divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) nesta quinta-feira (29), o Paraná deve colher 25,9 milhões de toneladas nas lavouras de verão. O número consolida o estado como um dos pilares da segurança alimentar brasileira em 2026.
O grande motor desse desempenho é a soja. Com uma área cultivada de 5,8 milhões de hectares, a oleaginosa deve atingir, sozinha, o volume recorde de 22 milhões de toneladas. Apesar do otimismo produtivo, o boletim alerta para o ritmo da colheita: até o momento, apenas 5% da área foi colhida, índice inferior aos anos anteriores devido à persistência das chuvas no estado.
Desempenho por Cultura
O boletim conjuntural do Deral detalha como cada setor está se comportando diante das variações climáticas e de mercado:
- Milho (1ª Safra): Apresenta boas perspectivas, embora com rendimentos levemente inferiores aos recordes do ciclo passado. O plantio da “safrinha” (2ª safra) já começou nas regiões Oeste e Sudoeste.
- Feijão: É o ponto de atenção, com queda de 46% na produção (estimada em 184 mil toneladas). O recuo é reflexo da redução da área plantada após preços desfavoráveis no período de semeadura.
- Horticultura: Batata, cebola e tomate apresentam alto padrão de qualidade, embora o tomate enfrente pressão de preços baixos devido ao excesso de oferta.
Proteína Animal: Ovos e Leite em Queda
Para o consumidor paranaense, o início de 2026 trouxe alívio nos preços de alguns itens da cesta básica, mas preocupação para os produtores:
- Ovos: Registraram uma retração média de 14,6% no varejo em comparação ao ano passado. O ovo tornou-se a fonte de proteína mais competitiva frente às altas das carnes bovina e suína.
- Leite: O setor vive um cenário de crise, com queda de 22,1% no preço pago ao produtor (média de R$ 2,15 o litro). A pressão é alimentada pelo aumento das importações de leite em pó ocorridas no final de 2025.
Frutas: O Avanço das Exportações
Enquanto os grãos enfrentam pressão de preços internos, a fruticultura paranaense celebra a expansão no mercado externo. Em 2025, o setor exportou US$ 22,4 milhões, um recorde histórico impulsionado pelo embarque de limão, lima, banana e abacate.
Impacto do Clima: Ciclone e Colheita
Como você acompanhou, Vinicius, a formação do terceiro ciclone extratropical de 2026 neste fim de semana deve manter o solo do Paraná com alta umidade. Se por um lado isso beneficia o desenvolvimento final de algumas lavouras, por outro, prolonga o atraso das máquinas no campo. Em Curitiba e Região Metropolitana, o acumulado de chuvas já é decisivo para o rendimento das hortaliças que abastecem a capital.



