Aproximação estratégica entre senador e clã Bolsonaro pode redesenhar o cenário eleitoral de 2026 no estado; governador resiste com nomes do PSD, mas enfrenta baixa competitividade de seu favorito.
Por Redação 19/02/2026 às 13:46
O xadrez político para a sucessão no Palácio Iguaçu ganhou novas e complexas peças nesta semana. A potencial candidatura do senador Sergio Moro (União) ao governo do Paraná deixou de ser um fato isolado para se tornar um desafio direto ao projeto do governador Ratinho Junior (PSD). O elemento catalisador da crise é a articulação de uma aliança entre Moro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), o que consolidaria um palanque de oposição tanto ao governo federal quanto ao atual grupo governante paranaense.
O impasse no PSD
Ratinho Junior tem sinalizado preferência pelo seu secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), como sucessor natural. No entanto, o nome encontra resistência interna por ser visto como pouco competitivo diante do recall eleitoral de Moro. Silva, por sua vez, aposta na “continuidade do projeto” e na intensificação de agendas para subir nas pesquisas.
Enquanto isso, outras figuras de peso do PSD observam o cenário:
- Alexandre Curi: Presidente da Assembleia Legislativa, bem posicionado nas sondagens, mas com tendência de migrar para o Republicanos.
- Rafael Greca: O ex-prefeito de Curitiba mantém-se leal a Ratinho, mas admite que a decisão final deve levar em conta quem estará melhor nas pesquisas em meados de abril.
A “frente ampla” da direita e o fator Bolsonaro
A possível união entre Flávio Bolsonaro e Sergio Moro representaria uma reconciliação histórica após o rompimento de 2020. Para o clã Bolsonaro, o Paraná é um estado estratégico para montar uma barreira contra o PT de Lula. Para Moro, o apoio do PL neutralizaria resistências dentro da federação União-PP, onde nomes como Ciro Nogueira e Ricardo Barros ainda tentam barrar sua ascensão.
Barros, líder do PP no estado, é enfático ao rejeitar Moro, citando falta de diálogo e de um plano de governo estruturado. O PP cogita, inclusive, filiar Rafael Greca para lançá-lo como alternativa viável.
Cenário de Desincompatibilização
Para que Ratinho Junior possa disputar o Palácio do Planalto ou uma vaga no Senado em 2026 — desejo já manifestado por aliados —, ele precisará deixar o cargo. Nesse cenário, o vice-governador Darci Piana (PSD) assumiria o governo, mas ele não é visto como um nome para a disputa de reeleição, funcionando apenas como um gestor de transição.
A fragmentação da base aliada de Ratinho e a consolidação de Moro como um polo de atração para o eleitorado bolsonarista colocam o atual governador em uma encruzilhada: ceder ao pragmatismo das pesquisas ou bancar um nome de sua estrita confiança sob o risco de entregar o estado ao antigo aliado e agora principal adversário.



