A 98ª edição do Oscar, realizada na noite deste domingo (15), foi além do glamour tradicional e das estatuetas. O tapete vermelho transformou-se em uma poderosa plataforma de ativismo, onde estrelas de Hollywood e cineastas internacionais utilizaram sua visibilidade para protestar contra conflitos armados e as recentes diretrizes da Casa Branca.
Clamor por Cessar-Fogo
O movimento Artists4Ceasefire teve uma presença marcante. Diversos artistas foram vistos ostentando pins e broches vermelhos com o símbolo da mão com um coração, exigindo um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza.
O ator espanhol Javier Bardem foi uma das vozes mais contundentes, aproveitando os holofotes para pedir o fim da guerra e o respeito aos direitos humanos na Palestina. Complementando o gesto, o diretor Óliver Laxe utilizou um pin de melancia — símbolo histórico da resistência palestina.
Críticas Diretas a Donald Trump
As políticas internas dos Estados Unidos, especialmente o endurecimento das medidas migratórias promovidas pelo governo Trump, também foram alvo de manifestações:
- Representação Brasileira: A equipe de “O Agente Secreto” não se calou. O diretor de arte Thales Junqueira utilizou acessórios que protestavam abertamente contra as ações do ICE (serviço de imigração americano) e as políticas de deportação.
- Segurança Reforçada: Do lado de fora do Dolby Theatre, grupos de manifestantes tentaram bloquear vias de acesso, forçando alguns convidados a chegarem a pé e gerando um forte esquema de segurança policial.
Impacto na Cerimônia
O clima de tensão geopolítica não ficou restrito aos acessórios. A atriz brasileira Tânia Maria, do elenco de “O Agente Secreto”, foi uma das ausências sentidas na noite; ela revelou ter desistido de viajar a Los Angeles devido ao “medo da guerra” e à instabilidade internacional.
Em um ano onde o cinema internacional buscou seu espaço, os protestos serviram como um lembrete de que a indústria cultural permanece intrinsecamente ligada aos dilemas políticos do mundo real.



