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‘Aparelho bomba’ e ‘bombinha’: alvos de operação usavam celular em nome de mortos para dificultar rastreio, diz PF

Investigação aponta que linhas clandestinas eram usadas por policiais federais e estavam registradas em nome de pessoas falecidas

A Polícia Federal afirma que investigados na Operação Sem Refino utilizavam “aparelhos bomba” e “bombinhas” registrados em nome de pessoas mortas para dificultar o rastreamento das comunicações e esconder a identidade dos verdadeiros usuários.

Segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a investigação identificou uma conta de WhatsApp vinculada a um número telefônico com DDD do Rio de Janeiro registrada como “Márcio PF Bombinha”.

De acordo com a apuração, o aparelho era utilizado pelos escrivães da Polícia Federal Márcio Pereira Pinto e Márcio Cordeiro Gonçalves, lotados na delegacia de Nova Iguaçu (RJ).

A PF afirma que a linha telefônica estava cadastrada em nome de Anísio da Silva Antônio, morto em 2021 e sem qualquer vínculo com a corporação.

Os investigadores também identificaram outra linha supostamente usada no esquema registrada em nome de Cosme Gomes da Silva, também falecido. Para a PF, o uso de identidades de mortos demonstra um “padrão de ocultação”.

As informações fazem parte da decisão que autorizou a Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (15), para investigar suspeitas de fraudes fiscais ligadas à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, apontada como um dos maiores grupos devedores de impostos do país.

Entre os alvos da operação estão Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, aliado do senador Ciro Nogueira (PP), o empresário Ricardo Magro, dono da companhia, e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).

Segundo a PF, o aparelho clandestino manteve contato frequente com o advogado Roberto Fernandes Dima, conhecido como Beto Dima, apontado como sócio de empresas ligadas ao conglomerado de Ricardo Magro.

Os autos registram ligações e mensagens trocadas entre eles em outubro de 2025.

A decisão também menciona interações do aparelho com o delegado da Polícia Federal Ricardo de Carvalho, candidato a deputado estadual em 2022. Os investigadores identificaram que a conta participava de um grupo de WhatsApp chamado “15.000 voltou!”, em referência ao número de urna utilizado pelo delegado durante a eleição.

Ainda segundo a PF, uma conexão da conta investigada foi feita a partir de um IP ligado à rede interna da própria Polícia Federal. Após análise técnica, os investigadores afirmam que o acesso estava associado ao login funcional de Márcio Cordeiro Gonçalves.

A investigação também aponta que o intermediário Álvaro Barcha utilizava um segundo aparelho celular para fotografar telas e documentos exibidos em outro telefone, em negociações classificadas pela PF como “sensíveis”.

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Claudio Rocha

Jornalista

Cátia Kowalski  é jornalista diplomada e especialista em comunicação estratégica. Com sólida trajetória no jornalismo, traz para a Folha Paranaense uma análise precisa sobre os bastidores da notícia, comunicação institucional e o impacto da informação na sociedade paranaense.

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