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Presidente do PT admite falhas na campanha de Lula e reconhece falta de diálogo com aliados

Edinho Silva afirmou que problemas na organização e na produção de materiais foram corrigidos para o segundo turno. Dirigente também reconheceu que a campanha precisa retomar o contato com grupos que apoiaram Lula em 2022 e defendeu a ampliação da base de apoio na sociedade.

O presidente nacional do PT e coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Edinho Silva, reconheceu nesta terça-feira (13) que a campanha presidencial teve falhas de organização durante o primeiro turno das eleições de 2026. Em entrevista à rádio CBN, ele afirmou que os problemas foram identificados e corrigidos para a etapa final da disputa.

Entre as principais dificuldades, Edinho citou a coordenação das atividades nos estados e a produção de materiais de campanha. Segundo ele, a estratégia adotada pelo partido buscava descentralizar as decisões e ampliar a autonomia das equipes estaduais, mas os resultados ficaram abaixo do esperado.

A avaliação ocorre após Lula classificar sua campanha como a “menos organizada desde 1989”.

“É evidente que nós tivemos falhas nessa estrutura”, reconheceu Edinho ao comentar o modelo de organização escolhido para o primeiro turno.

De acordo com o dirigente, a equipe identificou os problemas e tomou providências para melhorar o funcionamento da campanha. Ele afirmou ainda que a mobilização para o segundo turno está mais intensa e que houve ampliação do apoio de lideranças estaduais, embora o número de partidos aliados não tenha aumentado.

Edinho prevê crescimento de Lula nas pesquisas

Apesar das dificuldades reconhecidas, Edinho Silva demonstrou confiança no desempenho do presidente na etapa final da eleição.

O coordenador afirmou que a campanha e a militância estão mobilizadas e disse acreditar que esse movimento deverá aparecer nos próximos levantamentos de intenção de voto.

“Nós estamos com um ambiente de mobilização muito forte. Não temos nenhuma dúvida de que a nossa onda é uma onda de crescimento, as pesquisas em breve vão registrar isso”, declarou.

Duas novas pesquisas presidenciais estão previstas para esta semana. A Quaest divulgará seu levantamento na quarta-feira (14), enquanto o Datafolha apresentará os resultados de sua pesquisa na quinta-feira (15).

Campanha reconhece falhas no diálogo com aliados de 2022

Além dos problemas operacionais, Edinho admitiu que a campanha de Lula poderia ter mantido uma interlocução mais próxima com os grupos que apoiaram o presidente no segundo turno das eleições de 2022.

Ele mencionou setores que se aproximaram de Lula naquele momento em defesa da democracia e afirmou que o partido precisa retomar o contato com essas organizações e lideranças.

“Eu acho que a gente tem que reconhecer falhas. Eu acho que nós poderíamos ter dialogado mais com os setores que vieram conosco no segundo turno [de 2022]. Nós temos que retomar esse contato. Nós temos que fazer essa avaliação crítica do nosso lado”, afirmou.

Na avaliação do dirigente, a dificuldade não se limitou à estrutura partidária. Ele também considerou que faltou, dentro do governo federal, uma figura responsável por promover um diálogo mais direto e permanente com esses grupos.

Edinho citou o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social Sustentável, conhecido como Conselhão, como uma das iniciativas de interlocução entre o governo e diferentes setores da sociedade. No entanto, ponderou que o mecanismo pode não ter sido suficiente para aprofundar essa aproximação.

“Por mais que o Conselhão tenha trazido esses setores para dentro do governo para dialogar, talvez a gente pudesse ter feito diálogos mais diretos. Nós temos que reconhecer essa falha. Nós temos que retomar essa capacidade de diálogo, porque o que está em jogo no Brasil é muito grande. É o futuro das próximas gerações”, declarou.

PT defende ampliar apoio na sociedade

Durante a entrevista, Edinho também foi questionado sobre as dificuldades do governo para aprovar reformas no Congresso Nacional. A discussão envolve a atual composição parlamentar, considerada pelo dirigente um obstáculo à aprovação de propostas do Executivo, e a possibilidade de o cenário se tornar ainda mais desafiador na próxima legislatura.

Ele reconheceu que o governo não dispõe de maioria no Congresso e defendeu a construção de uma base social mais ampla para sustentar as mudanças pretendidas pelo partido.

“É evidente que hoje, no Congresso Nacional, nós não temos maioria. O povo brasileiro sabe disso. Nós temos que construir uma maioria na sociedade, formar opinião pública, ter força política para que a gente faça as mudanças”, afirmou.

A declaração reforça a avaliação apresentada por Edinho de que a campanha precisa combinar maior organização interna, mobilização eleitoral e recuperação do diálogo com setores que apoiaram Lula em eleições anteriores.

Para o segundo turno, a coordenação petista afirma ter corrigido os problemas operacionais identificados na primeira etapa da disputa. Ao mesmo tempo, o reconhecimento das dificuldades de interlocução indica que o partido pretende reavaliar sua relação com grupos políticos e sociais que fizeram parte da aliança em 2022.

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Claudio Rocha

Jornalista

Cátia Kowalski  é jornalista diplomada e especialista em comunicação estratégica. Com sólida trajetória no jornalismo, traz para a Folha Paranaense uma análise precisa sobre os bastidores da notícia, comunicação institucional e o impacto da informação na sociedade paranaense.

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