A arquitetura política para a sucessão presidencial de 2026 ganhou contornos definitivos nesta semana, com a consolidação de um dos movimentos mais aguardados nos bastidores de Brasília. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o governador do Paraná, Ratinho Júnior, selaram um acordo estratégico que coloca o mandatário paranaense como o nome oficial da legenda para a disputa ao Palácio do Planalto. A decisão, que altera significativamente o tabuleiro eleitoral da centro-direita, foi maturada em dois encontros decisivos ocorridos nos últimos dias, nos quais as lideranças bateram o martelo sobre a viabilidade e o cronograma da pré-candidatura.
As conversas que definiram o rumo do PSD aconteceram em um intervalo de menos de uma semana, evidenciando a urgência do partido em se posicionar diante da fragmentação da oposição. A primeira reunião ocorreu na quinta-feira, 8 de janeiro, servindo para alinhar as expectativas e analisar as pesquisas internas de aceitação nacional. O segundo e definitivo encontro aconteceu na última terça-feira, 13 de janeiro, onde as garantias de apoio partidário e a estrutura de campanha começaram a ser desenhadas. Aliados próximos a ambos os políticos confirmam que o clima foi de total convergência, restando agora apenas os ritos burocráticos para a oficialização do nome de Ratinho Júnior perante as instâncias partidárias.
A mudança de postura de Gilberto Kassab, conhecido por sua cautela e pragmatismo, deve-se a uma alteração no cenário de São Paulo. Originalmente, o PSD considerava abrir mão de uma candidatura própria caso o governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidisse ingressar na corrida presidencial. Entretanto, com a decisão de Tarcísio de focar na reeleição ao Palácio dos Bandeirantes para consolidar seu projeto estadual, abriu-se um vácuo de liderança no espectro político que o PSD decidiu ocupar. Kassab entendeu que o partido precisava de um nome com experiência executiva e alta aprovação, perfil no qual Ratinho Júnior se encaixa após dois mandatos à frente de um dos estados mais produtivos do país.
Este movimento coloca o PSD em uma rota de colisão amigável, porém competitiva, com o Partido Liberal (PL). Enquanto Jair Bolsonaro trabalha para ungir o senador Flávio Bolsonaro como o herdeiro direto do capital político bolsonarista, o PSD busca se apresentar como uma alternativa de direita moderada, focada em gestão e eficiência administrativa, distanciando-se de polarizações extremas. A estratégia de Kassab é oferecer ao eleitor um nome que transite bem entre o setor produtivo e o agronegócio, sem as resistências que o sobrenome Bolsonaro ainda enfrenta em determinados setores da classe média e do empresariado.
A confirmação pública do acordo veio através das redes sociais de Gilberto Kassab nesta quinta-feira, 15 de janeiro. O dirigente partidário publicou um vídeo emblemático no qual Ratinho Júnior fala abertamente, pela primeira vez com o aval da sigla, sobre sua disposição em liderar um novo projeto nacional. No registro, o governador do Paraná adota um tom diplomático, afirmando que a escolha deve se basear em projetos e na capacidade de liderança, e não apenas em nomes isolados. Contudo, ele deixou claro que, se for a vontade da legenda, está pronto para aceitar o desafio e levar o modelo de gestão aplicado no Paraná para o âmbito federal.
A entrada de Ratinho Júnior na disputa presidencial de 2026 promete forçar uma reorganização de forças. Com o apoio da máquina do PSD, que detém uma das maiores bancadas do Congresso e o maior número de prefeituras do país, o governador paranaense larga com uma estrutura robusta de capilaridade eleitoral. O próximo passo da estratégia de Kassab será iniciar uma série de viagens de Ratinho pelo Nordeste e Sudeste, visando elevar seu nível de conhecimento nacional e consolidar alianças com outras siglas de centro que ainda não definiram seus rumos para o próximo pleito.



