A economia brasileira vem apresentando um comportamento considerado atípico por especialistas: mesmo com juros ainda elevados e alto nível de endividamento, o consumo das famílias continua crescendo e sustentando a atividade econômica.
No primeiro trimestre de 2026, o consumo das famílias avançou 1% em relação ao trimestre anterior e 1,7% na comparação anual, ajudando o Produto Interno Bruto (PIB) a manter trajetória de crescimento.
Segundo economistas, o principal fator por trás desse movimento é o mercado de trabalho aquecido. A taxa de desemprego caiu para 5,8%, o menor nível para o período na série histórica do IBGE, enquanto o rendimento médio real dos trabalhadores atingiu R$ 3.732, alta de 5,3% em um ano.
Além do emprego, políticas de estímulo à renda também ajudaram a sustentar o consumo, como o aumento do salário mínimo, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil e programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola 2.0.
Especialistas destacam ainda o papel dos serviços no crescimento do consumo, especialmente setores como bares, restaurantes, turismo e tecnologia. A digitalização da economia também tem ampliado gastos em telefonia e internet.
Mesmo bens duráveis, que normalmente sofrem mais com juros altos, seguem em expansão, com destaque para automóveis importados, especialmente modelos híbridos e elétricos.
Apesar do cenário positivo no curto prazo, economistas alertam para a sustentabilidade desse ritmo de consumo, já que o endividamento das famílias e o crédito caro podem se tornar entraves nos próximos trimestres.



