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Crise de Qualidade no Ensino Médico: 1/3 dos Cursos Reprovam no Enamed

O Ministério da Educação (MEC) apresentou nesta segunda-feira o balanço do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). O diagnóstico é severo: cerca de 30,7% das instituições avaliadas não atingiram o nível de proficiência esperado, recebendo notas 1 ou 2 (em uma escala que vai até 5).

Dos 351 cursos que participaram do exame, a distribuição das notas ficou da seguinte forma:

ConceitoPercentual de CursosStatus MEC
17,1%Não Proficiente
223,6%Não Proficiente
322,7%Proficiência Básica
433,0%Proficiência Boa
513,6%Excelência

Mão de Ferro: Sanções para 99 Instituições

O ministro Camilo Santana deixou claro que a intenção não é uma “caça às bruxas”, mas sim a garantia de que mensalidades caras se traduzam em médicos bem preparados. Como resultado imediato, 99 cursos sofrerão penalidades administrativas, incluindo:

  • Suspensão total do vestibular: Aplicada a 8 instituições com desempenho crítico.
  • Corte de vagas: 13 cursos perderão metade das vagas e 33 terão redução de 25%.
  • Barreira de expansão: 45 cursos estão proibidos de criar novas vagas.
  • Bloqueios Financeiros: Suspensão imediata de novos contratos do Fies nessas unidades.

O Abismo entre Públicas e Privadas

Os dados do Enamed revelam uma disparidade gritante conforme a natureza da instituição. As universidades estaduais e federais lideram o ranking de qualidade, enquanto as municipais (que hoje operam fora da supervisão direta do MEC) e as privadas com fins lucrativos apresentaram os piores índices.

Tipo de InstituiçãoCursos com Notas 1 e 2 (%)
Estaduais2,6%
Federais5,1%
Confessionais/Comunitárias5,6%
Privadas (sem fins lucrativos)33,3%
Privadas (com fins lucrativos)58,4%
Municipais87,5%

Nota importante: O MEC planeja enviar uma proposta ao Congresso para passar a supervisionar também as instituições municipais, que hoje representam o maior ponto cego da regulação federal.


Embate Judicial e o Futuro do Exame

A divulgação dos dados ocorre após uma tentativa frustrada da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) de barrar os resultados na Justiça. As instituições alegaram “dano reputacional”, mas o Judiciário entendeu que o interesse público e a transparência na formação de médicos devem prevalecer.

O Enamed, que substituiu o antigo Enade para a Medicina, passará a ser ainda mais rigoroso: a partir deste ano (2026), estudantes do 4º ano também serão avaliados, permitindo um acompanhamento do progresso acadêmico antes da formatura.

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João Medeiros

Jornalista

Cátia Kowalski  é jornalista diplomada e especialista em comunicação estratégica. Com sólida trajetória no jornalismo, traz para a Folha Paranaense uma análise precisa sobre os bastidores da notícia, comunicação institucional e o impacto da informação na sociedade paranaense.

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