A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu nesta sexta-feira (5) o inquérito que investigava o caso de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, suspeita de se passar por uma adolescente de 12 anos para obter abrigo, assistência e apoio financeiro de uma família em Joinville. Ela foi indiciada pelo crime de estelionato.
Segundo as investigações, Amanda utilizava uma identidade falsa e se apresentava como “Gabriele”, alegando ser uma adolescente em situação de vulnerabilidade. A mulher viveu por aproximadamente 14 meses com uma família que a acolheu informalmente, período em que recebeu diversos tipos de auxílio material e financeiro.
De acordo com a Polícia Civil, a suspeita criou uma série de histórias para justificar características incompatíveis com a idade que dizia ter. Ela afirmava sofrer de transtorno do espectro autista e de outros problemas de saúde. Os investigadores também apontaram que Amanda adotava comportamentos infantis para reforçar a falsa identidade, incluindo o uso frequente de mamadeiras, chupetas e objetos de apego utilizados para dormir.
Um dos fatores que despertaram suspeitas foi a recusa constante em frequentar a escola. Conforme a apuração, sempre que surgia a possibilidade de matrícula em uma instituição de ensino, a falsa adolescente encontrava justificativas para não comparecer.
Durante o período em que viveu com a família, Amanda teve despesas custeadas pelos responsáveis, incluindo alimentação, roupas e tratamento para obesidade com o medicamento Mounjaro. Ela também participou de uma festa organizada para celebrar o que seria seu aniversário de 12 anos.
Após a descoberta da fraude, Amanda foi presa e interrogada. Segundo os investigadores, ela confessou os fatos durante o depoimento. Atualmente, permanece no Presídio Regional de Joinville à disposição da Justiça.
O caso agora será analisado pelo Ministério Público de Santa Catarina, que decidirá se apresenta denúncia formal à Justiça, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do procedimento.
As autoridades também informaram que existem registros de ocorrências semelhantes envolvendo Amanda em outros estados brasileiros. Em um dos casos, ocorrido em Nova Iguaçu (RJ), ela teria utilizado outra identidade falsa para obter auxílio financeiro e moradia de pessoas sensibilizadas por uma história de supostos abusos, posteriormente não confirmada pelas investigações.



