Ministro do STF afirmou que esperava represálias após decidir dar andamento a informações recebidas da Polícia Federal; declaração ocorre em meio à tensão envolvendo o caso Banco Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (17) que continuará cumprindo suas funções institucionais apesar de ataques e tentativas de intimidação que, segundo ele, passaram a ocorrer após sua decisão de levar adiante informações encaminhadas pela Polícia Federal.
Em manifestação pública, Mendonça afirmou que já esperava sofrer represálias depois de tomar a decisão e disse ter sido advertido, de maneira implícita e explícita, de que ele e pessoas próximas poderiam ser alvo de ataques.
Segundo o ministro, a possibilidade de críticas e reações pessoais não alterou sua disposição de seguir com as providências que considera necessárias dentro de suas atribuições.
“Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias. Fui advertido, de forma implícita e explícita, de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim.”
Ministro afirma que seguirá cumprindo seu dever
Apesar das advertências mencionadas por ele, Mendonça declarou que não se sente intimidado pelas críticas.
O ministro afirmou que pretende continuar exercendo suas funções com tranquilidade e responsabilidade, mesmo diante da pressão pública que passou a acompanhar os desdobramentos do caso.
“Nada tenho a temer. Assim, apesar dos ataques e tentativas de intimidação, seguirei cumprindo meu dever com serenidade e responsabilidade.”
Ao comentar os ataques pessoais, Mendonça também fez referência ao filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Segundo o ministro, esse tipo de estratégia pode ser utilizado por pessoas que buscam vencer uma discussão sem apresentar argumentos considerados consistentes.
A declaração foi feita em um momento de crescente exposição pública dos conflitos entre integrantes do STF relacionados à condução das investigações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Declaração ocorre durante crise envolvendo o caso Master
A manifestação de Mendonça ocorre no contexto dos embates entre ministros do Supremo relacionados aos desdobramentos do caso envolvendo Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master.
O episódio tem provocado diferentes manifestações dentro da Corte e ampliado a tensão em torno da forma como informações e possíveis indícios relacionados ao caso devem ser encaminhados para investigação.
Nesta quinta-feira, o ministro Flávio Dino determinou que informações envolvendo empresas ligadas ao conglomerado de Vorcaro fossem encaminhadas à Polícia Federal para apuração.
Dino afirmou ter identificado indícios de relação entre empresas ligadas ao grupo de Vorcaro e uma nova concessionária responsável pela administração de cemitérios em São Paulo.
Ao mesmo tempo em que determinou o encaminhamento do material à PF, Dino estabeleceu que não deveria haver investigação contra o próprio André Mendonça.
Embate entre ministros ganhou dimensão pública
Os acontecimentos recentes fizeram com que divergências entre integrantes do STF relacionadas ao caso Master passassem a ocupar espaço significativo no debate público.
Mendonça já havia adotado medidas relacionadas às informações recebidas da Polícia Federal, enquanto outros ministros da Corte também passaram a analisar diferentes aspectos envolvendo os dados e os possíveis desdobramentos das investigações.
Nesse cenário, a declaração desta quinta-feira reforça a disposição manifestada por Mendonça de continuar atuando no caso apesar das críticas e das pressões que, segundo ele, já eram esperadas.
O ministro afirmou que pretende manter sua atuação dentro das atribuições institucionais do cargo, defendendo que ataques pessoais não devem interferir nas decisões tomadas no exercício da função.
A crise envolvendo o caso Master continua sendo acompanhada pelo STF, pela Polícia Federal e por outros órgãos envolvidos na apuração das informações relacionadas ao conglomerado de Vorcaro.



