Com o impasse entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre quem deve liderar a direita em 2026, o PSD decidiu entrar no vácuo de poder. O presidente da sigla, Gilberto Kassab, e o governador do Paraná, Ratinho Júnior, intensificaram movimentos para viabilizar a candidatura do paranaense à Presidência da República.
A Estratégia do PSD
- A Brecha: O partido avalia que a “guerra de bastidores” no campo bolsonarista atrasa a organização da direita. Enquanto Flávio foca no núcleo ideológico e Tarcísio sinaliza preferência pela reeleição em SP, Ratinho Jr. surge como um nome capaz de atrair legendas de centro, como o União Brasil.
- Decisão Tomada: Internamente, Ratinho Jr. já afirma estar decidido a disputar o Planalto. Kassab reforça que, no cenário atual, ele é o nome com as melhores condições dentro da legenda.
- Cenário Favorecido: O PSD acredita que Ratinho Jr. seria mais competitivo em um segundo turno contra Lula se o adversário na direita for Flávio Bolsonaro, em vez de uma disputa direta com o “fator novidade” de Tarcísio.
Os Pilares da Pré-Campanha
- Marketing e Popularidade: O marqueteiro Jorge Gerez já participa das discussões. Um dos trunfos será o uso da imagem de seu pai, o apresentador Ratinho, para aumentar a penetração do governador nas regiões Norte e Nordeste.
- Vitrine Administrativa: A campanha deve focar na segurança pública, utilizando os indicadores do Paraná e o investimento em tecnologia (IA e monitoramento) como modelo para o país.
Os Desafios: Entraves Regionais
Apesar do otimismo da cúpula, o projeto nacional esbarra em alianças locais que o PSD mantém com o governo Lula ou com o PT:
- Rio de Janeiro: Eduardo Paes é aliado de Lula.
- Bahia e Piauí: O partido integra bases governistas petistas.
- Minas Gerais: O estado é visto como vital. As conversas com Romeu Zema (Novo) avançaram, e a filiação de Mateus Simões ao PSD buscou blindar o palanque mineiro de uma polarização automática.
A Postura de Tarcísio
Recentemente, Tarcísio de Freitas tentou baixar a temperatura ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro e reiterar que seu foco é São Paulo, afirmando que “com o tempo as coisas vão se acomodando”. Para o PSD, esse recuo é o sinal verde necessário para consolidar Ratinho Jr. como o nome do “centro-conservador”.



