O cenário político nacional para as eleições presidenciais de 2026 sofreu um novo e decisivo abalo nesta quinta-feira, 15 de janeiro. O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), manifestou-se de forma contundente sobre as especulações que cercam seu nome, confirmando que está pronto para aceitar o “desafio” de uma candidatura à Presidência da República pelo PSD. Em uma fala que ecoou como um manifesto de pré-campanha, o mandatário paranaense não apenas sinalizou sua prontidão, mas também lançou duras críticas à “polarização raivosa” que, em sua visão, tem paralisado o debate público no Brasil nos últimos anos.
Para Ratinho Júnior, a sucessão presidencial de 2026 não deve ser pautada por uma disputa de personalidades ou por embates ideológicos vazios, mas sim pela apresentação de um projeto sólido de gestão. O governador enfatizou que a sociedade brasileira está “cansada de briga” e busca líderes capazes de entregar resultados concretos, citando os índices de educação e geração de emprego do Paraná como exemplos de uma “metodologia de sucesso” que pode ser nacionalizada. Ao se posicionar como uma alternativa pragmática, ele tenta ocupar o espaço da centro-direita que busca eficiência administrativa sem o ônus do radicalismo.
A Articulação de Kassab e a Musculatura do PSD
A movimentação de Ratinho Júnior não é um fato isolado, mas o resultado de uma costura política minuciosa liderada por Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Após reuniões estratégicas nos dias 8 e 13 de janeiro, ficou claro que o partido, fortalecido pelo desempenho recorde nas últimas eleições municipais, não pretende ser coadjuvante no pleito nacional. Com a decisão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) de focar em sua reeleição em São Paulo, o caminho ficou livre para que o PSD lançasse um nome próprio de peso, capaz de rivalizar tanto com o projeto de reeleição do presidente Lula quanto com a candidatura de Flávio Bolsonaro pelo PL.
A estratégia de Kassab é utilizar a capilaridade do PSD, que hoje detém a maior bancada de prefeitos do país, para sustentar uma candidatura que se apresente como equilibrada. Ratinho Júnior surge como o candidato ideal nesse contexto: um governador com mais de 80% de aprovação em seu estado, jovem e com trânsito facilitado entre o agronegócio e o setor industrial. O anúncio oficial da candidatura, embora esperado com ansiedade pelos aliados, deve ser maturado até fevereiro, mas a sinalização positiva de Ratinho já serve para aglutinar forças de centro que temem o isolamento diante da polarização PT-PL.
O Adeus ao Palácio Iguaçu e o Xadrez da Sucessão
A disposição de Ratinho Júnior em disputar o Planalto traz implicações imediatas para o Paraná. O governador já confirmou que deixará o cargo em abril de 2026, cumprindo o prazo legal de desincompatibilização. Essa saída antecipada abre uma disputa feroz pela sua sucessão no Centro Cívico. Nomes como Alexandre Curi, Guto Silva e Rafael Greca já se movimentam para herdar o espólio político de Ratinho, enquanto o senador Sergio Moro (União) observa o cenário como um potencial aliado ou adversário, dependendo das costuras que envolverão o apoio à chapa presidencial.
Apesar do tom confiante, Ratinho Júnior reconhece a magnitude do desafio. Pesquisas recentes mostram que ele ainda precisa elevar seu nível de conhecimento nas regiões Norte e Nordeste, onde a polarização entre o lulismo e o bolsonarismo é mais cristalizada. No entanto, o governador aposta que o “fator novidade” e a vitrine de um estado bem gerido serão seus principais combustíveis para romper a barreira dos polos e se consolidar como o nome da “gestão contra a ideologia” em outubro.



