O tabuleiro eleitoral para a sucessão presidencial de 2026 sofreu uma alteração significativa nesta semana. O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), confidenciou a aliados próximos que está “decidido” a disputar a Presidência da República. A movimentação ganha força após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sinalizar que priorizará a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, deixando o espaço da centro-direita aberto para o mandatário paranaense.
O “Fator Tarcísio” e a Desincompatibilização
Até então, Ratinho Júnior via a possível candidatura de Tarcísio como o principal obstáculo ao seu projeto nacional, uma vez que ambos disputariam fatias semelhantes do eleitorado de centro e direita. Com o governador paulista declarando apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) para evitar um racha no bolsonarismo, Ratinho passou a se sentir mais confortável para consolidar sua própria via.
Para viabilizar a candidatura, Ratinho Júnior já confirmou que deixará o governo do Paraná em abril de 2026. Como está em seu segundo mandato e não pode concorrer à reeleição estadual, a renúncia é o passo legal obrigatório para que ele possa constar nas urnas em outubro.
Estratégia: Centro-Direita e Independência
A aposta do governador paranaense é se apresentar como um gestor eficiente, capaz de atrair eleitores que buscam uma alternativa tanto ao atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva quanto ao bolsonarismo raiz, que deve ser representado por Flávio Bolsonaro.
Diferente de Tarcísio, que depende umbilicalmente do capital político de Jair Bolsonaro, Ratinho Júnior busca construir uma imagem de independência. Embora mantenha uma boa relação com o ex-presidente e tenha participado de atos em defesa da anistia, ele foca seu discurso na aprovação de sua gestão no Paraná e no apoio de setores produtivos e do mercado financeiro (Faria Lima).
O Aval de Gilberto Kassab
A pré-candidatura conta com o apoio estratégico de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e atual Secretário de Governo de Tarcísio em São Paulo. Kassab, mestre das articulações de bastidor, já deu o sinal verde público ao divulgar vídeos de Ratinho aceitando o “desafio” de representar o partido.
O PSD, que se tornou a maior força municipalista do país nas últimas eleições, pretende utilizar sua capilaridade para dar sustento à campanha de Ratinho. No entanto, o cenário ainda é volátil. Outros nomes da direita, como Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO), também monitoram o tabuleiro, e qualquer mudança na candidatura de Flávio Bolsonaro pode forçar um novo rearranjo entre os governadores.



