Governador paulista aposta em permanência do aliado no Palácio Iguaçu até o fim do mandato; Gilberto Kassab ainda mantém Ratinho como uma das cartas para a Presidência pelo PSD.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem compartilhado com aliados uma previsão que destoa da maioria das análises políticas em Brasília: a de que o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), não concorrerá a nenhum cargo nas eleições de 2026.
Enquanto boa parte do mundo político enxerga Ratinho como o nome natural do PSD ao Palácio do Planalto — ou, em último caso, ao Senado Federal —, Tarcísio acredita que o aliado optará por permanecer no governo paranaense até dezembro de 2026. O objetivo principal seria garantir a unidade de sua base e consolidar a eleição de um sucessor de confiança, evitando o risco de entregar o comando do estado a adversários.
O Tabuleiro da Sucessão no Paraná
A estratégia de Ratinho Júnior passa por um cenário estadual complexo, onde o senador Sérgio Moro (União) lidera todas as pesquisas de intenção de voto para o governo. Sem um herdeiro político definido, Ratinho Júnior avalia três nomes principais dentro do seu grupo:
- Guto Silva (PSD): Atual secretário das Cidades e considerado o “candidato do coração” do governador. Guto deve deixar o cargo em abril para focar na campanha.
- Alexandre Curi (PSD): Presidente da Assembleia Legislativa (ALEP) e visto como o “candidato da razão”, por sua forte capilaridade política junto aos prefeitos do interior.
- Rafael Greca (PSD): O ex-prefeito de Curitiba também figura entre os cotados, embora apareça com menor força nas articulações internas recentes do que seus colegas de sigla.
O Dilema de Kassab e a Terceira Via
A previsão de Tarcísio desafia os planos de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Kassab incluiu Ratinho Júnior em uma tríade de presidenciáveis que conta ainda com Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS). O partido prometeu definir seu nome oficial para o Planalto até o dia 15 de abril, baseando-se em pesquisas qualitativas e viabilidade eleitoral.
Se Ratinho Júnior seguir o conselho de Tarcísio e permanecer no cargo, o PSD deve concentrar forças em Caiado ou Leite, deixando o governador paranaense livre para articular a sucessão estadual e, possivelmente, pavimentar um caminho para o Senado em ciclos futuros.



