A tensão diplomática entre a União Europeia e os Estados Unidos atingiu o seu ponto mais crítico desde o início do segundo mandato de Donald Trump. O Parlamento Europeu sinalizou nesta terça-feira (20) que deve formalizar amanhã, quarta-feira (21), o congelamento total do acordo comercial bilateral firmado no ano passado. A medida é uma resposta direta à estratégia de “chantagem tarifária” adotada pela Casa Branca para forçar a venda da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
O Ultimato de Trump: Tarifas como Arma Política
O gatilho para a retaliação europeia foi o anúncio de Trump, via redes sociais, de que aplicará uma tarifa de 10% sobre as exportações de oito países do bloco (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) a partir de 1º de fevereiro. O presidente americano ameaçou elevar essa taxa para 25% em junho caso a Europa continue a se opor à soberania dos EUA sobre a ilha do Ártico.
Trump justifica a necessidade de “conquistar” a Groenlândia por razões de segurança nacional, afirmando que a ilha é o local estratégico para a instalação do “Domo de Ouro”, um ambicioso escudo antimísseis para proteger o território americano. “Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão”, disparou o republicano.
A Resposta de Davos: “Imperialismo” e Retaliação de € 93 bilhões
No Fórum Econômico Mundial, em Davos, o clima é de confronto. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi enfática ao declarar que a soberania da Groenlândia é “inegociável”. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, discursando de óculos escuros devido a uma condição ocular, afirmou que o continente não se curvará ao que chamou de “imperialismo” e que o momento exige união frente às ameaças de Washington.
Com a suspensão do tratado comercial, a União Europeia volta a considerar a aplicação de tarifas retaliatórias contra produtos americanos, que podem chegar a 93 bilhões de euros (aproximadamente R$ 580 bilhões). Além do custo financeiro, o bloco avalia restringir o acesso de grandes corporações dos EUA ao mercado comum europeu.
Mobilização Militar e Popular na Groenlândia
Enquanto a guerra econômica escala, o cenário no Ártico ganha contornos militares. A pedido da Dinamarca, países como França, Alemanha e Reino Unido já enviaram pequenos contingentes militares para reforçar a segurança na ilha. Em contrapartida, os EUA anunciaram que aviões militares americanos chegarão “em breve” à região para exercícios que, segundo Washington, já estavam previstos pela Norad (Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte).
Nas ruas de Nuuk (capital da Groenlândia) e de Copenhague, milhares de manifestantes realizaram protestos sob o lema “Tirem as mãos da Groenlândia”. O governo local agradeceu o apoio europeu e reiterou que o povo groenlandês não aceitará ser tratado como moeda de troca em uma transação imobiliária internacional.
Impacto nos Mercados
No Brasil, o cenário externo conturbado reflete nas cotações:
- Dólar Comercial: R$ 5,375 (+0,21%)
- Euro Comercial: R$ 6,306 (+0,97%)
- Ibovespa: 165.996 pts (+0,7%)



