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Os números assustadores do ENAMED 2025

Há algumas semanas, discursamos sobre a necessidade do Profimed (Exame Nacional de Proficiência em Medicina) que será obrigatório para médicos recém-formados que iniciarão sua graduação a partir de 2026.
O número exponencial de aberturas de novas Faculdades de Medicina nas últimas décadas, sendo que mais da metade não preenchiam critérios básicos exigidos pelo MEC e foram abertas sob processo de judicialização.
Com a nova publicação dos dados do ENAMED (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) essa semana, nunca ficou tão claro aquilo que já estamos vivenciando. Médicos despreparados, erros básicos em diagnóstico e conduta, medo da população em confiar naquilo que foi orientado e busca excessiva de conhecimento em mídias sociais por profissionais que sequer têm proficiência adequada.
Segundo dados do MEC e CFM (Conselho Federal de Medicina), 13871 dentre 39256 graduandos em medicina ( 1 em cada 3) obtiveram nota 1 e 2, abaixo da nota mínima aceitável pela metodologia do próprio MEC. Escancarando a escassez na qualidade da formação de médicos.
Você entraria em um avião sabendo que 30% dos pilotos são insuficientes para controlar vôo? Você aceitaria morar em um prédio sabendo que 30% dos engenheiros calculistas não são suficientemente capazes de colocar a estrutura em pé, com cálculos adequados, podendo desmoronar a qualquer momento? Pois é, isso, infelizmente está acontecendo na saúde do nosso país.
Estes médicos, mesmo considerados insuicientes receberão seus diplomas e poderão atuar neste ano.
A medicina não é apenas um diploma, é a porta de entrada que possibilita tocar outro corpo e outra alma humana. Que permite diagnósticos e condutas que podem mudar toda a trajetória de vida e de famílias inteiras. Muitos sequer têm consciência da responsabilidade em tornar-se médico. E quanto maior a “ignorância”, falta de conhecimento e práticas profundas, mais “corajosos” são esses profissionais.
À medida que temos um conhecimento vasto sobre determinado assunto, mais dúvidas e curiosidades temos e maior a nossa procura para melhor servir um paciente. Não por status, ou orgulho ou dinheiro, mas por sabermos que estamos lidando diretamente com vidas.
Segundo o próprio MEC e CFM esses médicos que receberam abaixo da nota mínima serão considerados insuficientes. O estado crítico do ensino médico levará a mudanças na liberação dos registros médicos e um rigor maior das faculdades que foram abertas.
Quais medidas seráo tomadas, ainda está em discussão. Mas foi importantíssimo esse resultado espelhando a realidade para que mudanças ocorram.
Os estudantes que entrarem em qualquer curso de medicina a partir deste ano, passarão obrigatoriamente pelo PROFIMED ao término, como já descrevemos em coluna anterior. Mas, e até lá, como será feita a avaliação e aquisição de registro médico entre os anos 2026 e 2031? A que estaremos sujeitos? O ENAMED será critério para obterem sua titulação? Estaremos, efetivamente, expostos a profissionais sem qualificação?
É realmente assustador e muito temoroso o que nos espera nos próximos anos. Exceto se houver alguma alteração pelos órgãoes responsáveis para aquisição do Título de Médico.
Como disse anteriormente, é muito mais que um título. É uma permissão para mudar e salvar vidas de pessoas e famílias. Aguardemos, ansiosos, por novos posicionamentos e mudanças necessárias.

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João Medeiros

Jornalista

Cátia Kowalski  é jornalista diplomada e especialista em comunicação estratégica. Com sólida trajetória no jornalismo, traz para a Folha Paranaense uma análise precisa sobre os bastidores da notícia, comunicação institucional e o impacto da informação na sociedade paranaense.

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