O cantor de forró João Lima apresentou-se à Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (26) e foi preso preventivamente em João Pessoa, na Paraíba. A ordem judicial foi expedida após a repercussão de vídeos que registram o artista agredindo a ex-esposa, Raphaella Brilhante, com tapas no rosto e imobilizações forçadas. O caso, que tramita na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), expõe um histórico de violência doméstica que teria se agravado após o casamento do casal, realizado no ano passado.
A investigação aponta que os episódios mais recentes de violência ocorreram ao longo da última semana, embora a denúncia formal tenha sido feita pela vítima apenas no sábado (24). Segundo o depoimento de Raphaella, o comportamento do cantor escalou para tortura psicológica e ameaças de morte. Em um dos episódios relatados à polícia, João Lima teria entregue uma faca à esposa, incitando-a ao suicídio. Dias depois, o artista teria ido à residência de sua sogra para afirmar que a ex-companheira “não teria paz” e que ele pretendia “acabar com a vida dela”.
Diante da gravidade dos relatos e das evidências em vídeo, a Justiça concedeu uma medida protetiva de urgência em favor de Raphaella. A defesa da vítima classificou a conduta do cantor como inaceitável e destacou que o processo será encaminhado ao Ministério Público da Paraíba para o oferecimento da denúncia criminal. Em nota, os advogados de Raphaella ressaltaram a necessidade de punição rigorosa, citando os índices alarmantes de feminicídio registrados no país em 2025 como um alerta para que agressões físicas, psicológicas e financeiras não sejam mais toleradas pela sociedade.
Após se entregar no Centro de João Pessoa, João Lima foi conduzido ao Instituto de Polícia Científica (IPC) para a realização de exames de corpo de delito. O cantor deve passar por audiência de custódia ainda na tarde desta segunda-feira, onde o Poder Judiciário decidirá sobre a manutenção de sua prisão. Até o momento, a defesa do artista não se manifestou publicamente sobre as acusações ou sobre o conteúdo das imagens divulgadas nas redes sociais.
O caso de João Lima soma-se a uma série de ocorrências de violência contra a mulher que têm mobilizado as autoridades paraibanas neste início de ano. O rigor na aplicação da Lei Maria Penha e a rapidez na concessão de medidas protetivas têm sido as principais ferramentas do Judiciário para tentar interromper ciclos de abuso antes que resultem em crimes fatais.



