São Paulo | 09 de Março de 2026
A escalada do conflito no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz elevaram o preço do petróleo ao patamar recorde de US$ 106 por barril, gerando uma onda de incerteza no mercado global. No Brasil, o consumidor já começa a sentir os reflexos, mas a nova política de preços da Petrobras tem atuado como um amortecedor para evitar repasses imediatos nas bombas.
Amortecedor Nacional
Apesar da disparada no mercado internacional, os preços da gasolina e do diesel apresentaram aumentos tímidos na última semana. Segundo dados da ANP, a gasolina subiu de R$ 6,28 para R$ 6,30, enquanto o diesel passou de R$ 6,03 para R$ 6,08.
Analistas explicam que o abandono da paridade de importação (PPI) em 2023 permite que a Petrobras absorva parte da volatilidade externa. “A companhia está segurando as margens para evitar um choque inflacionário imediato, mas essa estratégia tem um limite técnico, especialmente se o barril se mantiver acima de US$ 100 por muito tempo”, afirma Marcos Bassani, da Boa Brasil Capital.
O Risco do Diesel e a Logística
O ponto de maior atenção é o diesel, combustível essencial para o transporte de cargas e para o agronegócio. Como o Brasil ainda depende de importações para suprir cerca de 25% da demanda interna de diesel, uma defasagem muito grande entre o preço nacional e o internacional pode afastar importadores, gerando risco de desabastecimento.
Com o custo do frete diretamente ligado ao diesel, qualquer reajuste futuro na Petrobras deve impactar em cascata o preço dos alimentos e serviços nas prateleiras dos supermercados.
Câmbio e Mercado
Nesta segunda-feira (9), enquanto o petróleo tentava estabilizar após as falas de Donald Trump sobre o fim próximo da guerra, o Ibovespa operava em alta de 0,86% e o Dólar Comercial recuava 1,52%, cotado a R$ 5,164. A queda do dólar ajuda a aliviar a pressão sobre os combustíveis, já que a commodity é negociada na moeda americana.



