O presidente Donald Trump subiu o tom contra os parceiros históricos da OTAN, afirmando que os Estados Unidos já cumpriram seus objetivos estratégicos na guerra contra o Irã e podem retirar suas tropas em até duas semanas. Em publicações na rede Truth Social e declarações no Salão Oval nesta terça-feira (31), o republicano demonstrou impaciência com a relutância de países como Reino Unido e França em assumir uma postura militar ativa na liberação do Estreito de Ormuz.
Com a frase “se virem”, Trump sinalizou que Washington não pretende garantir a segurança do fluxo de petróleo para a Europa sem uma contrapartida militar direta dos aliados. O presidente ironizou o poderio naval britânico e criticou duramente o presidente francês, Emmanuel Macron, por proibir o sobrevoo de aeronaves com suprimentos militares destinados a Israel.
Fragmentação da OTAN e objetivos atingidos
Para o governo americano, a capacidade nuclear e missilística do Irã foi neutralizada após a eliminação de estoques e unidades de produção, além da morte do líder supremo Ali Khamenei logo no início da ofensiva. “O Irã foi dizimado, essencialmente. Agora, garantam o petróleo de vocês”, disparou Trump.
Especialistas, como o professor Gunther Rudzit (ESPM), avaliam que o esgarçamento das alianças da OTAN pode ter danos permanentes. Enquanto Trump tenta consolidar a narrativa de vitória para seu eleitorado, a recusa europeia em classificar o conflito como uma “guerra defensiva” criou um vácuo de cooperação que afeta o planejamento tático na região.
O impasse de Israel e a resistência iraniana
A possível retirada unilateral dos EUA coloca o premiê Benjamin Netanyahu em uma posição delicada. Analistas apontam que Israel não possui recursos logísticos para sustentar a guerra sozinho, dependendo criticamente do reabastecimento aéreo e do suporte tecnológico americano.
Do outro lado, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que Teerã possui “vontade necessária” para encerrar o conflito, mas exige garantias internacionais de que a agressão não se repetirá. O Irã continua negando negociações diretas com a Casa Branca, mantendo a comunicação apenas através de intermediários, como o Paquistão.



