A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, revelou nesta quarta-feira (1º) que a estatal iniciou estudos para viabilizar a autossuficiência do Brasil na produção de diesel em um horizonte de cinco anos. A declaração foi dada em primeira mão durante o fórum CNN Talks, em São Paulo, e ocorre em um momento de extrema pressão sobre o mercado de energia devido ao agravamento da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que provocou o fechamento estratégico do Estreito de Ormuz.
Segundo a executiva, a companhia já possui capacidade técnica para garantir o fornecimento de 80% do diesel consumido no território nacional. O novo desafio, que será o centro das discussões do próximo plano de negócios da estatal a partir de maio, é zerar a dependência de importações até 2031. Atualmente, a Petrobras é responsável por cerca de 70% do refino nacional, com o restante sendo complementado por refinarias privadas e importações diretas.
Blindagem contra a volatilidade global
A busca pela autonomia produtiva é vista como uma medida de segurança nacional. Com o barril de petróleo atingindo picos de US$ 119 em março e a defasagem do diesel importado chegando a níveis críticos, a estatal tem sido pressionada a segurar os preços internos para evitar um colapso no setor de transportes rodoviários. “A autossuficiência é a certeza de que as volatilidades extremas não vão nos assombrar”, afirmou Chambriard, destacando que o Brasil, agora entre os dez maiores exportadores de óleo bruto, precisa converter essa força em segurança para o consumidor final.
Projetos estratégicos e expansão de refino
Para atingir a meta de 100%, a Petrobras aposta na expansão de unidades-chave, como a Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, e o Complexo de Boaventura, no Rio de Janeiro. O plano revisado deve prever um incremento de aproximadamente 300 mil barris por dia na produção de diesel S-10. A CEO ressaltou que a empresa “adora ser desafiada” e que o atual cenário geopolítico — onde o petróleo brasileiro ganha espaço no mercado asiático devido à crise no Oriente Médio — fornece o fôlego financeiro necessário para esses investimentos em infraestrutura.
Apesar do tom otimista, a executiva evitou comentar se a Petrobras pretende recomprar refinarias privatizadas, como a de Mataripe, limitando-se a dizer que o foco imediato é a otimização do parque de refino atual e o início das discussões formais sobre o novo cronograma em maio.



