O presidente Donald Trump elevou o tom contra a Otan nesta quarta-feira (8), logo após um encontro a portas fechadas com o secretário-geral da aliança, Mark Rutte. Em uma publicação ácida na Truth Social, o republicano não apenas questionou a lealdade dos aliados, como resgatou uma de suas controvérsias diplomáticas mais famosas ao classificar a Groenlândia como um “pedaço de gelo mal administrado”.
A retórica de Trump reflete o profundo isolamento dos EUA dentro da aliança durante os 39 dias de conflito contra o Irã. Para a Casa Branca, o fato de nações europeias terem negado apoio logístico e uso de espaço aéreo para a ofensiva no Oriente Médio é uma “falha imperdoável”.
As frentes de ataque de Trump
- A “Traição” dos Aliados: A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, foi categórica ao afirmar que a Otan “deu as costas ao povo americano” nas últimas seis semanas. Trump reforçou o sentimento, sugerindo que a aliança pode não estar lá em uma futura necessidade dos EUA.
- O Plano de Punição: Segundo o The Wall Street Journal, Trump não pretende ficar apenas nas palavras. Ele estuda transferir tropas americanas da Alemanha e Espanha (que criticaram a guerra) para países “amigos” como Polônia e Lituânia. O fechamento de bases militares importantes na Europa Ocidental já está sendo avaliado.
- A Groenlândia como Provocação: Ao citar a ilha dinamarquesa, Trump ataca diretamente a Dinamarca, país membro da Otan que sempre se opôs à ideia de vender o território autônomo aos EUA e que tem mantido uma postura cautelosa no conflito atual.
O papel de Mark Rutte
Rutte, conhecido por sua habilidade em lidar com o temperamento de Trump, descreveu a conversa como “franca e aberta”. Ele tentou argumentar que a Europa colabora de outras formas, mas admitiu que a decepção americana é real e palpável. A estratégia do secretário-geral agora é tentar salvar a unidade da aliança antes que Trump formalize um pedido de retirada dos EUA, o que implodiria a organização criada em 1949.



