Pesquisadores da Universidade de Utah desenvolveram uma estratégia que pode ajudar a criar remédios mais duradouros da mesma classe do Ozempic. A descoberta foi publicada em 2025 na revista científica ACS Bio & Med Chem Au.
O estudo descreve o uso de uma enzima natural para modificar peptídeos terapêuticos semelhantes ao GLP-1, hormônio ligado ao controle da fome, da glicose e do metabolismo.
Um dos principais desafios na indústria farmacêutica é que medicamentos baseados em peptídeos costumam ser frágeis e se degradam rapidamente no organismo. Isso reduz o tempo de ação e exige aplicações mais frequentes.
Na pesquisa, os cientistas analisaram a enzima PapB, capaz de remodelar moléculas. Ela foi aplicada em peptídeos sintéticos inspirados em fármacos modernos e conseguiu promover um processo chamado macrocilização, que transforma cadeias lineares em estruturas circulares mais estáveis.
Esse processo ocorre por meio da formação de uma ligação química do tipo tioéter, que cria um anel mais rígido na molécula. Estruturas assim tendem a resistir melhor à degradação e podem permanecer ativas por mais tempo no organismo.
O estudo mostrou que a técnica funciona em sequências relacionadas ao GLP-1, o que é relevante porque essa classe de compostos é amplamente usada no tratamento da obesidade e do diabetes.
No corpo, o GLP-1 atua estimulando a liberação de insulina, reduzindo o glucagon, retardando o esvaziamento do estômago e aumentando a sensação de saciedade.
Os pesquisadores também observaram que a enzima conseguiu atuar em diferentes estruturas químicas, o que indica potencial para adaptação em novos medicamentos.
Apesar dos resultados promissores, o estudo ainda está em fase inicial. Não houve testes em humanos nem comparação direta com medicamentos já disponíveis no mercado.
Na prática, isso significa que não há mudanças imediatas para pacientes. Antes de chegar às farmácias, a tecnologia ainda precisa passar por testes em células, animais e estudos clínicos, além de avaliações de segurança e eficácia.
Ainda assim, especialistas apontam que avanços desse tipo podem, no futuro, permitir tratamentos mais estáveis, com menos aplicações e resultados mais previsíveis.



