As chamadas “terras raras” ganharam importância estratégica na disputa global entre Estados Unidos e China, colocando o Brasil no centro da corrida tecnológica e energética mundial.
Apesar do nome, elas não são “terras” nem exatamente “raras”. O grupo reúne 17 elementos químicos usados em tecnologias de alta performance, como celulares, carros elétricos, turbinas eólicas, chips, lasers e equipamentos militares.
Especialistas definem esses minerais como as “vitaminas” da indústria tecnológica: utilizados em pequenas quantidades, mas essenciais para eficiência, miniaturização e desempenho de aparelhos modernos.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses elementos, principalmente em regiões de Minas Gerais e Goiás. O diferencial brasileiro está na combinação geológica rara formada por antigos vulcões, clima tropical e milhões de anos de erosão natural.
Entre os minerais mais valiosos estão neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, fundamentais para superímãs usados em motores elétricos e sistemas eletrônicos.
O grande desafio, porém, não é encontrar o minério, mas processá-lo. A separação química das terras raras exige dezenas ou centenas de etapas industriais, uso intensivo de ácidos, controle de radioatividade e tecnologia altamente especializada.
Hoje, a China domina cerca de 90% do processamento global, enquanto os Estados Unidos buscam reduzir essa dependência e enxergam o Brasil como parceiro estratégico.
O governo brasileiro tenta evitar que o país continue apenas exportando matéria-prima barata e importando produtos tecnológicos caros. A estratégia é atrair investimentos com transferência de tecnologia para desenvolver a indústria nacional de refino e fabricação.
O tema ganhou força nas negociações entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump e também entrou na pauta do Congresso, que discute incentivos para exploração e industrialização de minerais críticos no país.



