A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (1º) que o Brasil tem demonstrado resiliência e se consolidado como um porto seguro no mercado global de energia, apesar da escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Durante sua participação no fórum CNN Talks: Energia para o Futuro, a executiva destacou que, mesmo diante de um cenário de extrema volatilidade, “o Brasil está se saindo bem” e atraindo a atenção positiva de investidores e parceiros internacionais.
Para a CEO da estatal, o país ocupa hoje uma posição estratégica única. Com o fechamento do Estreito de Ormuz — via por onde escoava grande parte da produção do Oriente Médio —, o petróleo brasileiro passou a ser uma das principais alternativas para suprir a demanda global, especialmente no mercado asiático. Esse movimento não apenas impulsiona as exportações nacionais, como fortalece o papel da Petrobras como um dos principais players do setor de combustíveis fósseis no cenário de crise.
O impacto das tensões globais e o fator Trump
Chambriard traçou um panorama dos desafios enfrentados nos últimos anos, citando que a economia global já vinha pressionada pelos custos elevados da guerra entre Rússia e Ucrânia e pela explosão de demanda por energia para data centers. No entanto, a eclosão do conflito no Oriente Médio em fevereiro e as recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, elevaram a instabilidade a um novo patamar.
Segundo a executiva, a retórica agressiva de Trump nas duas primeiras semanas de combate provocou um choque financeiro sem precedentes. “As falas de Trump fizeram 13 trilhões de dólares mudarem de mãos”, pontuou, referindo-se à fuga de capital de mercados de risco e à reacomodação de investimentos em ativos mais seguros. Nesse turbilhão, o Brasil conseguiu manter a estabilidade operacional e aproveitar o vácuo deixado pelos fornecedores do Golfo Pérsico.
Desafios internos e aviação
Apesar do otimismo quanto à posição exportadora do país, a presidente da estatal não ignorou os reflexos domésticos da crise. O aumento dos custos globais de refino e logística forçou a Petrobras a anunciar um reajuste de 55% no preço do querosene de aviação (QAV). O movimento reflete a dificuldade de blindar totalmente o mercado interno da paridade de exportação em um momento em que o barril de petróleo opera em níveis recordes devido à incerteza sobre o fim das hostilidades no Irã.



