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Dólar quebra barreira dos R$ 5: Entenda os fatores que derrubaram a moeda americana

Pela primeira vez em mais de dois anos, o real ganha força expressiva frente à divisa dos EUA, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e a reconfiguração da política externa de Donald Trump.

Nesta segunda-feira (13/04), o mercado financeiro testemunhou um marco simbólico: o dólar fechou abaixo de R$ 5,00, acumulando sua quarta queda consecutiva. O movimento reflete uma fuga de capital dos Estados Unidos em direção a mercados emergentes, como o Brasil, motivada por incertezas globais e decisões drásticas de Washington.


O “Fator Trump” e o Estreito de Ormuz

O principal motor da desvalorização do dólar no cenário internacional é a política externa do presidente Donald Trump. O recente fracasso nas negociações de paz com o Irã culminou no bloqueio do Estreito de Ormuz para embarcações com rotas iranianas.

Essa medida gerou dois efeitos imediatos:

  1. Insegurança Geopolítica: Investidores passaram a ver os ativos americanos como mais arriscados, buscando “portos seguros” ou oportunidades de maior retorno fora dos EUA.
  2. Alta do Petróleo: Com a rota comercial ameaçada, o preço do barril de petróleo saltou para a casa dos US$ 100, o que beneficia países exportadores de commodities, como o Brasil.

“Houve um rearranjo na realocação do capital global, o que fez com que o dólar perdesse força não apenas frente ao real, mas também diante de diversas outras moedas”, explica William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.


Por que o Brasil atrai esse capital?

A valorização do real não é apenas uma fraqueza do dólar, mas também um reflexo da posição estratégica brasileira. Quando investidores internacionais trazem dinheiro para a bolsa ou para investir em títulos no Brasil, eles vendem dólares e compram reais. Esse aumento na oferta da moeda americana faz o seu preço cair.

Fatores que sustentam o Real:

  • Exportação de Commodities: Como exportador líquido de petróleo e minérios, o Brasil vê sua balança comercial fortalecida com a alta dos preços internacionais.
  • Diferencial de Juros: A taxa básica de juros brasileira continua atrativa em comparação à americana, incentivando a entrada de recursos para arbitragem financeira.
  • Otimismo Diplomático: Sinais pontuais de que as negociações no Oriente Médio podem ser retomadas ajudam a melhorar o humor do mercado e a recuperação das bolsas.

Contexto Histórico: A tendência de 2025

A queda observada hoje é a continuação de um movimento iniciado no ano passado. Em 2025, o dólar acumulou uma baixa de 11,8% frente ao real — o maior recuo anual desde 2016. Naquela época, a expectativa de queda nos juros americanos e a instabilidade política interna nos EUA já haviam começado a corroer a força da divisa.

Comparativo de Desempenho (Dólar vs. Real)

AnoVariação do DólarContexto Principal
2016-17,8%Ajuste após forte desvalorização anterior
2025-11,8%Incerteza política e juros nos EUA
2026 (Até Abr)Queda GradualConflitos no Oriente Médio e Bloqueio de Ormuz

O que esperar para os próximos meses?

Especialistas alertam que a manutenção do dólar abaixo dos R$ 5 dependerá da evolução do conflito no Irã e da estabilidade das contas públicas brasileiras. “O dólar iniciou a sessão em alta, mas perdeu força com a melhora do humor externo”, pontua Bruno Shahini, da Nomad. Caso o petróleo continue em patamares elevados e o fluxo de capital estrangeiro persista, o real pode consolidar esse novo patamar de preço.

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Claudio Rocha

Jornalista

Cátia Kowalski  é jornalista diplomada e especialista em comunicação estratégica. Com sólida trajetória no jornalismo, traz para a Folha Paranaense uma análise precisa sobre os bastidores da notícia, comunicação institucional e o impacto da informação na sociedade paranaense.

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