Teerã | 09 de Março de 2026
O 10º dia da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel foi marcado por uma sucessão dinástica histórica e o agravamento da crise energética mundial. Enquanto bombardeios continuam a atingir pontos estratégicos, a República Islâmica tenta reorganizar seu comando central para enfrentar a ofensiva aliada.
A Ascensão de Mojtaba Khamenei
A Assembleia dos Especialistas — órgão composto por 88 clérigos — confirmou Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como o novo Líder Supremo do Irã. Filho do aiatolá Ali Khamenei (morto nos ataques iniciais em 28 de fevereiro), Mojtaba assume o posto com a missão de manter a coesão do regime sob fogo.
Membro da ala mais conservadora do clero, o novo aiatolá já era uma figura influente nos bastidores e tem o desafio de comandar a retaliação contra as forças americanas e israelenses. Sua primeira diretriz foi clara: descartar qualquer cessar-fogo e intensificar o uso de mísseis com ogivas pesadas.
O Cerco ao Setor Energético
A capital iraniana registrou grandes incêndios nesta segunda-feira (9) após bombardeios atingirem quatro depósitos de petróleo e um centro logístico de derivados. Embora Washington afirme que não busca destruir a indústria petrolífera do país, os ataques cirúrgicos à infraestrutura de distribuição paralisaram o abastecimento em Teerã.
O reflexo foi imediato no mercado global:
- Preço do Barril: O petróleo ultrapassou a marca de US$ 100 pela primeira vez desde 2022, chegando a bater US$ 106 no mercado asiático.
- Estreito de Ormuz: A principal rota de escoamento de 20% da energia mundial está com o tráfego praticamente paralisado, gerando temores de uma recessão global.
Reações Internacionais
Enquanto o G7 marcou uma reunião de emergência para discutir formas de estabilizar o mercado de energia, o Papa Leão XIV e líderes europeus, como Emmanuel Macron, pediram a interrupção das hostilidades. Por outro lado, a China alertou que o mundo não pode retornar à “lei da selva” e criticou a intervenção militar direta.
A Rússia, embora aliada de Teerã, mantém uma posição de cautela. Analistas sugerem que Moscou se beneficia do petróleo alto, mas teme que a queda do regime iraniano represente uma perda geopolítica irreparável no eixo de oposição ao Ocidente.



