O governo de Donald Trump enviou ao Irã uma proposta de paz estruturada em 15 pontos, visando encerrar a guerra e estabilizar o Oriente Médio. Segundo revelado pelo jornal The New York Times nesta terça-feira (24), o documento estabelece condições rígidas para o programa nuclear e o poderio militar iraniano, além de sugerir um cessar-fogo imediato de 30 dias para viabilizar as negociações. A intermediação do plano está sendo feita pelo Paquistão, que se colocou à disposição para sediar os diálogos indiretos entre Washington e Teerã.
O núcleo da proposta exige que o Irã renuncie permanentemente ao desenvolvimento de armas nucleares e aceite a desativação de complexos estratégicos de enriquecimento de urânio, como as usinas de Natanz, Isfahan e Fordow. No campo militar, o texto prevê limitações severas ao alcance e à quantidade de mísseis balísticos do arsenal iraniano, além do fim do financiamento a grupos aliados na região, especificamente o Hamas e o Hezbollah.
Estreito de Ormuz e segurança global
Um dos eixos centrais do plano aborda a economia global e o fornecimento de energia. Os Estados Unidos sugerem a criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz, garantindo a navegação segura em uma das rotas mais vitais para o comércio de petróleo do mundo. A medida visa reduzir a volatilidade nos preços da commodity, que tem sido pressionada desde o início da escalada militar.
Divergências diplomáticas e sinais trocados
Apesar do otimismo demonstrado pelo presidente Donald Trump, que afirmou publicamente que o Irã já teria concordado em não desenvolver bombas atômicas e sinalizado “gestos de boa vontade”, o governo iraniano mantém uma postura oficial de negação. Teerã declarou que não está participando de negociações de cessar-fogo com os norte-americanos, criando um impasse sobre a real viabilidade do acordo.
Outro ponto de incerteza reside na posição de Israel. Até o momento, não há confirmação se o governo israelense participou da elaboração do documento ou se aceitaria os termos propostos por Washington, especialmente no que diz respeito à manutenção de parte da infraestrutura iraniana ou aos prazos do cessar-fogo. A pressão de Washington sobre o enriquecimento de urânio permanece como o principal gatilho das tensões que levaram aos ataques recentes contra o território iraniano.



