A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) anunciou, na noite desta quarta-feira (8), a criação de rotas alternativas para a navegação no Estreito de Ormuz. A medida, divulgada pela agência iraniana ISNA, ocorre poucas horas após Teerã decidir fechar novamente a via marítima em retaliação aos intensos bombardeios israelenses no Líbano.
O governo iraniano justificou a mudança alegando “perigo iminente de colisão com minas navais” devido à situação de guerra no Golfo Pérsico. O Estreito de Ormuz é o ponto de passagem mais importante do mercado global de energia, responsável por cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
Novas Rotas e Coordenação Militar
De acordo com o comunicado, qualquer embarcação que pretenda transitar pela região deverá, obrigatoriamente, coordenar o trajeto com a Marinha da Guarda Revolucionária. O plano de tráfego sugerido inclui:
- Entrada (Mar de Omã -> Norte): Passando pela Ilha de Lark em direção ao Golfo Pérsico.
- Saída (Golfo Pérsico -> Sul): Contornando a Ilha de Lark em direção ao Mar de Omã.
A exigência de coordenação militar direta é vista por analistas internacionais como uma forma de o Irã exercer controle total sobre quem entra e sai do Golfo, transformando a segurança marítima em uma ferramenta de pressão diplomática contra os EUA e seus aliados.
O Perigo das Minas Navais
As minas navais são a principal arma assimétrica do Irã para bloquear o Estreito. Estimativas indicam que o país possua um estoque de 2 mil a 6 mil unidades.
- Tecnologia: Os modelos variam desde os mais simples, que explodem por impacto, até versões modernas com sensores magnéticos, acústicos e de pressão.
- Impacto: Embora dificilmente uma única mina afunde um petroleiro de grande porte, os danos estruturais podem causar desastres ambientais e paralisar o comércio global por semanas.
Contexto: A Trégua que Durou Pouco
O anúncio desta quarta-feira enterra o clima de otimismo gerado pelo cessar-fogo anunciado na terça-feira (7). Após liberar a passagem por apenas algumas horas, o Irã voltou a fechar o cerco em resposta aos ataques de Israel em Beirute, que deixaram mais de 250 mortos.



