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Índia e Vietnã aceleram disputa global por terras raras e desafiam domínio chinês

Enquanto a China mantém liderança absoluta no mercado global de terras raras, Índia e Vietnã intensificam investimentos e políticas industriais para reduzir a dependência do gigante asiático e conquistar espaço estratégico em setores de alta tecnologia.

Atualmente, a China concentra cerca de 70% da extração mundial e aproximadamente 90% da capacidade de refino desses minerais, fundamentais para a fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, chips, equipamentos militares e ímãs permanentes.

Diante desse cenário, a Índia anunciou um pacote de cerca de US$ 800 milhões voltado ao fortalecimento da produção doméstica de ímãs permanentes e ao desenvolvimento da cadeia de minerais críticos. O plano prevê corredores industriais nos estados de Odisha, Kerala, Andhra Pradesh e Tamil Nadu, integrando mineração, pesquisa e processamento químico.

O governo indiano também aposta na chamada Missão Nacional de Minerais Críticos, iniciativa que pretende ampliar o controle sobre toda a cadeia produtiva, desde a exploração mineral até a reciclagem de lixo eletrônico. Apesar das reservas estimadas em 6,9 milhões de toneladas, o país ainda responde por menos de 1% da produção global.

Já o Vietnã adotou uma estratégia mais rígida e protecionista. O país proibirá, a partir de 2026, a exportação de terras raras não processadas, exigindo que empresas desenvolvam capacidade industrial local para operar no setor. A medida busca estimular o refino doméstico e aumentar o valor agregado das exportações vietnamitas.

O governo vietnamita pretende atingir produção anual de até 2 milhões de toneladas de minério bruto e processar entre 20 mil e 60 mil toneladas de óxidos de terras raras até 2030. As reservas locais são estimadas em 3,5 milhões de toneladas.

Especialistas avaliam que Índia e Vietnã possuem estratégias complementares. Enquanto a Índia oferece escala industrial e grande mercado consumidor, o Vietnã aposta em políticas industriais agressivas e maior abertura manufatureira.

O movimento internacional também reacende discussões sobre o papel do Brasil na cadeia global de minerais críticos. O país possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, estimadas em cerca de 21 milhões de toneladas, mas ainda enfrenta desafios relacionados ao refino e à industrialização do setor.

Em fevereiro deste ano, Brasil e Índia assinaram um acordo de cooperação para exploração e desenvolvimento da cadeia de terras raras, buscando ampliar investimentos em tecnologia, processamento e fabricação de produtos estratégicos.

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Claudio Rocha

Jornalista

Cátia Kowalski  é jornalista diplomada e especialista em comunicação estratégica. Com sólida trajetória no jornalismo, traz para a Folha Paranaense uma análise precisa sobre os bastidores da notícia, comunicação institucional e o impacto da informação na sociedade paranaense.

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