Representantes de Teerã e Washington reúnem-se nesta sexta-feira em Islamabad sob clima de tensão; impasse sobre a abrangência da trégua regional ameaça o avanço diplomático.
As delegações do Irã e dos Estados Unidos encontram-se nesta sexta-feira (10/04), em Islamabad, no Paquistão, para uma rodada crucial de negociações. No entanto, o início formal do diálogo está condicionado ao cumprimento de duas exigências centrais feitas por Teerã: a interrupção das hostilidades no Líbano e o desbloqueio de recursos financeiros iranianos retidos no exterior.
As exigências de Teerã
Mohammad Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano e um dos líderes da comitiva, foi enfático ao declarar que as negociações dependem de passos práticos que ainda não foram concretizados.
“A implementação de um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos bloqueados do Irã são medidas acordadas que precisam ser cumpridas antes que as conversas comecem efetivamente”, afirmou o líder parlamentar.
A delegação do Irã conta ainda com a presença do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. Do lado americano, a missão é chefiada pelo vice-presidente JD Vance e pelo enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff. Vance demonstrou otimismo, ressaltando que a equipe possui “diretrizes claras” estabelecidas pelo presidente Donald Trump.
Impasse sobre o Líbano
O principal ponto de atrito entre as potências reside na interpretação de um acordo firmado na última terça-feira (07/04). O pacto previa uma trégua de duas semanas e a reabertura estratégica do Estreito de Ormuz.
Embora o Paquistão — mediador do encontro — tenha indicado que o Líbano estaria incluído na zona de cessar-fogo, a posição de Israel e dos EUA divergiu:
- Ataques em Beirute: Na quarta-feira (08/04), Israel lançou ofensivas em território libanês que resultaram em mais de 300 mortes.
- Posição Americana: O governo Trump corroborou a tese israelense, sustentando que o acordo de trégua original não abrangia as operações militares no Líbano.
Contexto Humanitário e Político
A crise no Líbano agravou-se severamente no último mês, com estimativas de quase 600 crianças mortas ou feridas em decorrência dos combates. Para a liderança iraniana, a continuidade das ações militares em solo libanês torna qualquer tentativa de negociação diplomática “sem sentido” no momento atual.
A reunião em Islamabad é vista pela comunidade internacional como um teste de fogo para a diplomacia entre as duas nações, em um cenário onde a estabilidade do mercado energético e a segurança regional dependem da viabilidade desta trégua.



