O Laboratório de Ecologia de Invasões Biológicas, Manejo e Conservação da Universidade Federal de Santa Catarina (LEIMAC/UFSC) lançou, nesta segunda-feira (26), um curta-documentário que expõe as consequências ambientais persistentes da tragédia na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. O material, filmado pelo cineasta Todd Southgate, marca os cinco anos do rompimento da barragem de evapoinfiltração da Casan, ocorrido em 25 de janeiro de 2021, e denuncia que os impactos sobre o ecossistema local continuam avançando devido à manutenção de sistemas emergenciais de despejo.
A produção narra como, em 2021, a estrutura liberou milhões de litros de efluentes que destruíram dezenas de casas e soterraram áreas de dunas protegidas. De acordo com o documentário, um sistema de bombeamento instalado em caráter emergencial poucos meses após o desastre segue em operação definitiva até hoje, resultando no despejo contínuo de efluentes dentro do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição. A pesquisadora Michele de Sá Dechoum, que conduz a narração, alerta para a transformação negativa da paisagem e a perda de vigor da vegetação de restinga.
Dados apresentados pelo laboratório mostram que a vegetação nativa está sendo progressivamente substituída por espécies características de áreas degradadas, reflexo do excesso de nutrientes despejados no solo. Além disso, estudos desenvolvidos no departamento de Ecologia da UFSC indicam que lagoas naturais presentes no parque já sofriam contaminação antes mesmo da instalação das tubulações atuais. Os pesquisadores reforçam que a permanência desse cenário compromete não apenas a biodiversidade e a beleza cênica de um dos principais cartões-postais da capital catarinense, mas também os serviços ambientais essenciais para a qualidade de vida dos moradores.
O lançamento do documentário busca mobilizar a opinião pública e pressionar as autoridades por soluções definitivas de saneamento que cessem a degradação da unidade de conservação. O vídeo, que integra dados científicos a registros visuais da área atingida, já está disponível para visualização pública e faz parte de uma série de ações da universidade voltadas à preservação do patrimônio ecológico de Florianópolis.



