A Polícia Federal (PF) deu início, nesta segunda-feira (26), a uma série de oitivas fundamentais no âmbito da Operação Compliance Zero. O objetivo é desmembrar um esquema de fraudes financeiras que envolvem o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Ao todo, oito investigados, entre diretores das instituições, empresários e ex-executivos, prestam depoimentos que se estenderão até a terça-feira (27), realizados tanto por videoconferência quanto na sede do Supremo Tribunal Federal (STF).
O foco central das investigações é a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas fictícias pelo Banco Central. Essas operações ocorreram no contexto de uma tentativa de aquisição do Banco Master pelo estatal BRB, anunciada em março de 2025, mas reprovada pelo órgão regulador em setembro do mesmo ano devido à fragilidade dos ativos envolvidos. Além das carteiras falsas, a PF apura a existência de uma teia de fundos e ativos inflados artificialmente, em parceria com a gestora Reag DTVM, que somariam outros R$ 11,5 bilhões.
Segundo as autoridades, o Banco Master utilizava uma estrutura de operações enganosas para simular solidez financeira. A instituição apresentava um crescimento exponencial sustentado pela emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidades acima da média do mercado, atraindo investidores sob a narrativa de proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). No entanto, o balanço real da instituição ocultava passivos significativamente maiores do que os ativos turbinados.
Entre os convocados para depor nesta fase estão Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de finanças do BRB, e Alberto Felix de Oliveira, superintendente de tesouraria do Master. Também figuram na lista de depoentes executivos e ex-executivos como Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Augusto Ferreira Lima. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como líder do esquema e preso temporariamente em novembro de 2025, é o centro das investigações que levaram à liquidação forçada do Banco Master pelo Banco Central no final do ano passado.
O desdobramento da Operação Compliance Zero já provocou um efeito cascata no sistema financeiro nacional. Após a queda do Master, foram liquidadas a CBSF Distribuidora (antiga Reag Trust) e, mais recentemente, o Will Bank. A crise gerou protestos de investidores e uma onda de desconfiança no setor, com especialistas comparando a estratégia de captação do banco a um “jogo do tigrinho dos CDBs”, em que a conta final de ativos inexistentes acaba recaindo sobre o sistema de garantias bancárias.
Os depoimentos colhidos nestas 48 horas serão cruciais para que a Polícia Federal e o Ministério Público identifiquem o destino dos recursos desviados e o grau de conivência de agentes públicos no BRB. A operação segue sob sigilo em diversos anexos, especialmente após as investigações alcançarem menções a autoridades do Judiciário e a aquisição de ativos de luxo com recursos de origem suspeita.



