A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) instaurou, na noite desta terça-feira (24), seis novos inquéritos para investigar mortes suspeitas ocorridas no Hospital Anchieta, em Taguatinga. A nova frente de apuração busca determinar se o trio de técnicos de enfermagem — já réus por envenenarem três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) — possui envolvimento em outros seis óbitos registrados na mesma unidade em dezembro de 2025.
As vítimas desses novos casos tinham entre 73 e 83 anos e morreram após paradas cardiorrespiratórias repentinas. O padrão das ocorrências chamou a atenção das famílias, que procuraram a 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro) após a divulgação das prisões dos profissionais em janeiro deste ano. Com a abertura dessas investigações, a PCDF agora analisa um total de 13 mortes ocorridas no hospital sob circunstâncias atípicas.
Réus e o “Modus Operandi”
Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo (24 anos), Marcela Camilly Alves da Silva (22 anos) e Amanda Rodrigues de Sousa (28 anos) já respondem judicialmente por homicídio qualificado. De acordo com as investigações da “Operação Anúbis”, o grupo injetava altas doses de medicamentos e, em ao menos um caso, desinfetante nas veias dos pacientes. Imagens de segurança e auditorias de prontuários indicam que as técnicas Marcela e Amanda atuavam vigiando as portas ou omitindo as ações de Marcos Vinícius, que era quem realizava as aplicações letais.
Próximos passos da investigação
A polícia civil cruzará agora as escalas de trabalho do trio com os horários dos novos óbitos sob suspeita. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) já denunciou os técnicos por homicídio doloso e tentativas de homicídio, e a Justiça aceitou a denúncia em 18 de março, tornando-os réus. Se condenados por todas as mortes confirmadas até o momento, as penas somadas podem ultrapassar os 60 anos de reclusão para cada envolvido.



