A Petrobras aplicou um reajuste de aproximadamente 55% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras neste mês de abril. O aumento, confirmado por fontes do setor e pela holding Abra (controladora da Gol), reflete a disparada histórica do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo agravamento da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irã no Oriente Médio.
O ajuste segue a política de revisões mensais da estatal, prevista em contrato, mas a magnitude do índice gerou um alerta imediato no setor aéreo. Em março, o reajuste havia sido de 9,4%. Com o barril do tipo Brent oscilando acima dos US$ 102 e tendo atingido picos de US$ 115 durante o mês anterior, o combustível caminha para fechar o período com a maior valorização desde a década de 1990.
Impacto direto no bolso do passageiro
O querosene de aviação é o componente mais pesado na planilha de custos das companhias aéreas brasileiras, representando mais de 30% das despesas operacionais. Especialistas indicam que o repasse para as passagens é praticamente inevitável:
- Previsão de reajustes: Analistas do setor estimam que os bilhetes domésticos podem sofrer altas entre 15% e 25% já nas próximas semanas.
- Fator Dólar: Cada aumento de US$ 1 por galão no preço do QAV pode exigir uma elevação de cerca de 10% nas tarifas finais para manter o equilíbrio financeiro das empresas.
Companhias aéreas em alerta
O anúncio ocorre em um momento delicado para as gigantes nacionais. Azul e Gol ainda atravessam processos complexos de reestruturação de dívidas. A Azul informou recentemente que já elevou o preço médio de suas passagens em 20% nas últimas três semanas e planeja reduzir a oferta de voos em 1% no segundo trimestre como medida de contenção.
De acordo com Manuel Irarrazaval, diretor financeiro da Abra, embora o reajuste da Petrobras seja considerado “moderado” se comparado à volatilidade extrema do mercado internacional, o grupo (que também controla a Avianca) deve revisar suas projeções financeiras. O governo federal, por sua vez, estuda medidas de emergência, como a redução de alíquotas de ICMS e PIS/Cofins sobre o combustível, para evitar uma crise de conectividade no país diante do cenário de guerra prolongada.



