O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem intensificado a pressão política, econômica e militar contra Cuba em um movimento semelhante ao adotado anteriormente contra a Venezuela, antes da captura de Nicolás Maduro.
Nos últimos meses, Trump elevou o tom contra o governo cubano e passou a defender medidas mais duras contra lideranças ligadas à Revolução Cubana. Segundo a Casa Branca, a crise enfrentada pela ilha não seria consequência do embargo econômico imposto pelos EUA desde 1962, mas resultado da condução política das autoridades locais.
Crise energética agrava cenário em Cuba
A situação econômica cubana se agravou após mudanças políticas na Venezuela, que historicamente fornecia petróleo à ilha. Com o alinhamento do novo governo venezuelano aos interesses norte-americanos, Washington passou a bloquear o envio de combustível venezuelano para Havana.
Além disso, o governo Trump ameaçou aplicar sanções e tarifas contra países que comercializem petróleo com Cuba. A medida ampliou a crise energética no país caribenho, que enfrenta apagões frequentes e dificuldades no abastecimento.
Em meio à crise humanitária, os EUA chegaram a permitir temporariamente a entrada de um petroleiro russo em território cubano.
Raúl Castro é indiciado pelos EUA
Outro movimento que aumentou a tensão entre os países foi o indiciamento formal de Raúl Castro pela Justiça norte-americana.
O ex-líder cubano, irmão de Fidel Castro, foi acusado de conspiração para matar cidadãos norte-americanos, destruição de aeronaves e assassinato.
As acusações estão relacionadas ao episódio ocorrido em 1996, quando aviões da organização Hermanos al Rescate foram abatidos após entrarem no espaço aéreo cubano.
Mesmo afastado oficialmente da presidência desde 2018, Raúl Castro ainda é considerado uma figura influente nos bastidores da política cubana.
Movimentação militar aumenta tensão no Caribe
Paralelamente às ações diplomáticas e judiciais, os Estados Unidos reforçaram presença militar no Caribe. O Comando Sul dos Estados Unidos anunciou o envio do porta-aviões USS Nimitz e de navios de guerra para a região.
O deslocamento ocorreu dias após o indiciamento de Raúl Castro e ampliou especulações sobre uma possível escalada envolvendo Cuba.
Trump afirmou que a presença militar não representa ameaça direta à ilha, mas integrantes do governo norte-americano reforçaram que o objetivo é pressionar lideranças cubanas.
O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, declarou que Raúl Castro deverá responder às acusações em território norte-americano “por vontade própria ou por algum outro meio”, sem detalhar quais medidas poderiam ser adotadas.


