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Ultimato em Havana: Trump asfixia economia cubana após queda de Maduro e ressuscita hegemonia regional

A geopolítica das Américas sofreu um abalo sísmico neste início de 2026 com o endurecimento drástico da postura da Casa Branca em relação ao governo de Havana. O presidente Donald Trump utilizou suas plataformas sociais neste domingo (11) para lançar um ultimato direto às lideranças de Cuba: “façam um acordo antes que seja tarde”. A ameaça ocorre no vácuo da operação militar e de inteligência realizada em 3 de janeiro, em Caracas, que resultou na prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Com a queda do regime chavista, Trump anunciou o fim imediato do subsídio de petróleo e do fluxo de capitais que sustentavam a ilha caribenha há décadas, sinalizando uma mudança de era na política externa dos Estados Unidos para o hemisfério ocidental.

O centro da pressão econômica reside na interrupção dos cerca de 35 mil barris de petróleo que a Venezuela enviava diariamente a Cuba. Em troca desse combustível, Havana fornecia serviços de inteligência e segurança pessoal para a cúpula do governo em Caracas — uma troca que Trump classificou como “extorsão e banditismo”. Segundo o presidente americano, o suporte cubano aos “ditadores venezuelanos” foi desmantelado pela força das armas americanas. Ele ressaltou que a maioria dos agentes cubanos responsáveis pela proteção de Maduro foi morta durante o ataque da semana passada em Caracas, onde o governo cubano confirmou o óbito de 32 de seus cidadãos. Trump foi enfático ao afirmar que a Venezuela agora está sob a proteção das Forças Armadas dos EUA, as “mais poderosas do mundo”, e que não há mais espaço para a influência de Havana na região.

A estratégia agressiva faz parte do que analistas e o próprio governo vêm chamando de “Doutrina Donroe”, uma releitura agressiva da Doutrina Monroe de 1823, que pregava a supremacia dos EUA no continente. Sob essa nova ótica, Trump e seu Secretário de Estado, Marco Rubio, indicaram que Cuba está “em grandes apuros” e que uma intervenção militar direta pode nem ser necessária, sob o argumento de que o regime de Miguel Díaz-Canel estaria “prestes a cair” devido ao colapso energético e financeiro iminente. O confisco de petroleiros venezuelanos sancionados já provocou um apagão generalizado e uma crise severa de abastecimento em solo cubano, aumentando a pressão popular e a instabilidade interna.

A figura de Marco Rubio, filho de exilados cubanos e conhecido por sua postura linha-dura contra o regime castrista, ganhou ainda mais peso no cenário internacional. Trump chegou a endossar publicamente a ideia de que Rubio poderia assumir um papel de liderança em uma transição política em Cuba, comentando que a sugestão “lhe parecia boa”. Enquanto Díaz-Canel reage classificando a operação americana como “terrorismo imperial” e homenageando os cubanos mortos em Caracas como “combatentes heróicos”, a diplomacia americana expande suas ameaças para outros vizinhos. O presidente americano sinalizou que a Colômbia de Gustavo Petro e o México de Claudia Sheinbaum também estão sob vigilância cerrada, utilizando o combate aos cartéis e ao narcotráfico como justificativa para possíveis intervenções militares.

Historicamente, as relações entre Washington e Havana nunca se recuperaram totalmente após a revolução de 1959, mas o atual cenário apaga qualquer vestígio do “degelo” promovido durante a era Obama. Logo após assumir seu segundo mandato, Trump restabeleceu a designação de Cuba como um Estado patrocinador do terrorismo, revertendo as últimas medidas de Joe Biden. Com a Venezuela neutralizada e o petróleo cortado, o governo Trump parece apostar em uma política de asfixia total, forçando o governo cubano a escolher entre uma capitulação diplomática nos termos de Washington ou um colapso econômico e social que poderia resultar em uma mudança de regime forçada pelas circunstâncias.

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João Medeiros

Jornalista

Cátia Kowalski  é jornalista diplomada e especialista em comunicação estratégica. Com sólida trajetória no jornalismo, traz para a Folha Paranaense uma análise precisa sobre os bastidores da notícia, comunicação institucional e o impacto da informação na sociedade paranaense.

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