O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, pela atuação da oposição durante a votação da proposta que pretende acabar com a escala de trabalho 6×1.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na quarta-feira (2), mas ainda não tem data definida para ser analisada pelo plenário.
Marinho, que lidera a oposição no Senado, apresentou uma proposta alternativa ao texto, mas a sugestão foi rejeitada. Durante a sessão, parlamentares da oposição também solicitaram vista, o que atrasou a votação em cerca de uma hora.
Nas redes sociais, Lula criticou a estratégia da oposição sem mencionar diretamente o nome de Rogério Marinho. O presidente destacou que o senador é coordenador da campanha de seu adversário na disputa pela Presidência.
“Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6×1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor na corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”, escreveu Lula.
O presidente também afirmou que os brasileiros precisam saber quais parlamentares estão trabalhando pela aprovação da medida e quais estariam tentando impedir sua implementação.
A proposta de fim da escala 6×1 se tornou uma das principais bandeiras da campanha de Lula. Apesar da aprovação na CCJ, aliados do governo reconhecem que a PEC dificilmente será votada no plenário antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Se aprovada, a proposta reduzirá a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelecerá dois dias de descanso por semana, com preferência para que um deles seja aos domingos.
A mudança prevê ainda um período de transição de 14 meses. As primeiras duas horas semanais seriam reduzidas 60 dias após a promulgação da emenda, enquanto as outras duas horas seriam retiradas após mais um ano.
O tema deve continuar gerando disputa entre governo e oposição durante a campanha eleitoral, especialmente por envolver diretamente trabalhadores e empresas e pela proximidade da votação presidencial.


