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MJSP volta a cobrar os EUA sobre notificação de Paulo Figueiredo em processo no STF

Jornalista, que vive nos Estados Unidos há cerca de uma década, ainda não foi formalmente comunicado da acusação apresentada pela PGR; Ministério da Justiça informou a Alexandre de Moraes que voltou a solicitar informações às autoridades norte-americanas

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que voltou a cobrar das autoridades dos Estados Unidos informações sobre o andamento da notificação pessoal do jornalista Paulo Figueiredo.

Figueiredo foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposta prática do crime de coação no curso do processo. Segundo a acusação apresentada pela PGR, o jornalista teria atuado para tentar interferir no julgamento da chamada trama golpista, processo no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado.

Como Paulo Figueiredo reside nos Estados Unidos há aproximadamente dez anos, a Justiça brasileira precisa recorrer aos mecanismos de cooperação jurídica internacional para que ele seja formalmente comunicado da acusação.

A notificação é uma etapa necessária do processo, pois permite que o acusado tenha conhecimento formal das acusações apresentadas contra ele e possa exercer seu direito de defesa, incluindo a apresentação de defesa prévia.

Carta rogatória foi enviada em 2025

A tentativa de notificação ocorre por meio de uma carta rogatória, instrumento utilizado para solicitar a autoridades de outro país o cumprimento de determinados atos processuais.

O documento foi encaminhado às autoridades norte-americanas em outubro de 2025, por determinação de Alexandre de Moraes. Desde então, o processo depende do cumprimento do pedido em território dos Estados Unidos.

No novo ofício encaminhado ao STF, o Ministério da Justiça informou que voltou a solicitar às autoridades norte-americanas informações sobre o andamento da notificação.

Segundo o MJSP, qualquer resposta recebida dos Estados Unidos será encaminhada ao Supremo Tribunal Federal.

Até o momento, conforme as informações apresentadas na reportagem, Figueiredo ainda não foi formalmente notificado da acusação no território norte-americano.

Acusação envolve suposta tentativa de interferência

A denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República acusa Paulo Figueiredo de coação no curso do processo.

Segundo a acusação, o jornalista teria atuado em conjunto com Eduardo Bolsonaro para tentar obter sanções dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras e contra o próprio Brasil.

A atuação seria relacionada à tentativa de interferir no julgamento da trama golpista conduzido pelo Supremo Tribunal Federal.

Além da acusação por coação, Paulo Figueiredo também foi denunciado por integrar o chamado núcleo 5 da trama golpista. O processo principal resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebeu pena de 27 anos de prisão.

A acusação contra Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro chegou a tramitar conjuntamente, mas posteriormente foi desmembrada.

Eduardo Bolsonaro também foi denunciado

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro também foi denunciado no caso relacionado à suposta coação.

De acordo com a reportagem, o processo envolvendo os dois foi posteriormente separado. Eduardo Bolsonaro acabou condenado pelo STF.

No caso de Paulo Figueiredo, porém, a situação processual possui uma particularidade: como ele está nos Estados Unidos, sua comunicação formal depende da cooperação das autoridades norte-americanas.

A ausência da notificação pessoal impede que essa etapa processual seja cumprida normalmente até que o procedimento de cooperação internacional seja concluído.

O que acontece agora

O Ministério da Justiça continuará acompanhando o pedido encaminhado aos Estados Unidos e deverá informar o STF assim que receber uma resposta das autoridades norte-americanas.

A principal questão neste momento é justamente saber se e quando Paulo Figueiredo será oficialmente localizado e notificado da acusação.

A partir da notificação, ele poderá exercer formalmente seu direito de defesa no processo.

Enquanto isso, Alexandre de Moraes aguarda informações sobre o cumprimento da carta rogatória enviada em 2025.

O episódio também evidencia a dificuldade de executar determinados atos processuais quando um investigado ou denunciado reside fora do Brasil, já que a Justiça brasileira depende dos mecanismos de cooperação jurídica internacional para realizar a comunicação oficial em outro território.

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Claudio Rocha

Jornalista

Cátia Kowalski  é jornalista diplomada e especialista em comunicação estratégica. Com sólida trajetória no jornalismo, traz para a Folha Paranaense uma análise precisa sobre os bastidores da notícia, comunicação institucional e o impacto da informação na sociedade paranaense.

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